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Mato Grosso do Sul perdeu US$130 milhões em exportações com tarifaço de Trump

Porto com navios e contêineres brasileiros, seta vermelha apontando para baixo e mapa de Mato Grosso do Sul, simbolizando queda nas exportações por tarifas dos EUA
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Mato Grosso do Sul registrou queda de 19,4% nas exportações aos EUA em 2025 e teve perda de US$ 130,09 milhões com impacto estimado em 0,35% do PIB estadual

O boletim Impactos Regionais das Tarifas dos Estados Unidos sobre os Produtos Brasileiros, divulgado pelo BC, aponta que Mato Grosso do Sul teve queda de 19,4% nas vendas aos Estados Unidos em 2025, com receita passando de US$ 669,5 milhões em 2024 para US$ 539,4 milhões em 2025 e perda equivalente a US$ 130,09 milhões.

Impactos por produto

O estudo do Banco Central mostra que a celulose e o ferro-gusa puxaram a maior parte da retração na pauta exportadora sul-mato-grossense, enquanto a carne bovina registrou aumento de receita apesar de recuo no volume embarcado.

A celulose, item que alterna entre a primeira e a segunda posição no ranking estadual, viu o volume exportado cair 4,8% de 341,6 mil toneladas para 325,2 mil toneladas e a receita recuar 36,1% de US$ 213,4 milhões para US$ 136,2 milhões, perda destacada pelo BC como uma das mais significativas na região Centro-Oeste.

O ferro-gusa, terceiro produto em importância nas vendas do estado aos EUA, sofreu a maior queda absoluta entre os itens da pauta, com volume exportado reduzido em 42,8% de 284,3 mil toneladas para 162,5 mil toneladas e receita em retração de 44,6% de US$ 123,6 milhões para US$ 68,5 milhões.

A carne bovina desossada e congelada teve redução no volume de 45,8 mil toneladas para 44,6 mil toneladas e, mesmo assim, aumentou a receita em 4,1% de US$ 215,8 milhões para US$ 224,8 milhões conforme os dados compilados pelo BC e por informações do MDIC sobre o comércio com os Estados Unidos.

Regis Luis Comarella, presidente do Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul, explicou ao Campo Grande News em abril deste ano “No caso dos Estados Unidos, eles enfrentam sua pior crise na pecuária em 75 anos, com uma redução muito grande do rebanho. Isso ocorre por várias circunstâncias, como seca, altos custos de produção e ciclo pecuário”.

Para mensurar o efeito do aumento das tarifas americanas sobre as vendas externas a cada unidade da federação, o BC comparou impactos proporcionais ao PIB estadual e colocou Mato Grosso do Sul entre os quatro estados mais afetados, junto com Espírito Santo com retração de 0,55% do PIB estadual, Maranhão com 0,42% e Rio de Janeiro com 0,35%.

O boletim detalha também a cronologia das medidas adotadas pelos Estados Unidos em 2025 que influenciaram o movimento das exportações brasileiras. Em abril ocorreu um aumento geral de tarifas inicialmente de 10% e, a partir de uma ordem executiva de 30 de julho, passaram a incidir sobretaxas adicionais de 40% com vigência a partir de 6 de agosto, medidas que foram justificadas pelo governo americano com argumentos ligados à redução do déficit comercial e a questões de segurança nacional.

Em setembro o governo americano retirou a alíquota de 10% sobre alguns produtos e suspendeu a sobretaxa de 40% para determinados itens, entre os quais estavam a celulose e o ferro-gusa, e em 20 de novembro foi anunciada a retirada da tarifa adicional de 40% sobre parte dos produtos agrícolas brasileiros incluindo a carne bovina.

O BC conclui que a elevação das tarifas de importação dos Estados Unidos em 2025 provocou redução das exportações brasileiras destinadas àquele mercado da ordem de US$ 2,7 bilhões no total anual, impacto que equivale a aproximadamente 0,1% do PIB nacional e a 0,8% das exportações do país e que se manifestou de forma heterogênea entre as unidades da federação.

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