Ebola registra surto do vírus Bundibugyo na República Democrática do Congo

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A Organização Mundial da Saúde declarou emergência de saúde pública de importância internacional em razão de surtos causados pelo vírus Bundibugyo na República Democrática do Congo e de um caso importado em Uganda, decisão tomada após consultas entre os Estados-Membros afetados.

O alerta inicial foi emitido no começo do mês pelas autoridades sanitárias do município de Mongbwalu, província de Ituri, diante de um surto de alta mortalidade que atingiu a população local e incluiu óbitos entre profissionais de saúde.

Dez dias depois do aviso, o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa avaliou 13 amostras de sangue coletadas no distrito de Rwampara e confirmou a presença do vírus Bundibugyo em oito delas, informação que sustentou a declaração de surto.

Na sequência das confirmações, o Ministério da Saúde Pública, Higiene e Bem-Estar Social da RDC formalizou o 17º surto de ebola no país. Um caso importado, um cidadão congolês que morreu em Kampala, capital de Uganda, foi identificado pelo Ministério da Saúde daquele país, ampliando a preocupação regional.

Para orientar as ações de resposta, a OMS descreveu um conjunto de medidas que devem ser implementadas em articulação com as autoridades locais, incluindo envio de equipes de resposta rápida, reforço da vigilância, apoio laboratorial, prevenção e controle de infecções em unidades de saúde, e organização de sepultamentos seguros.

A organização também enfatizou a importância do engajamento comunitário para o controle dos surtos, apontando a necessidade de combinar intervenções técnicas com aceitação local.

“[Isso] depende [também] da utilização de uma série de intervenções, como assistência clínica, vigilância e rastreamento de contatos, serviços laboratoriais, prevenção e controle de infecções em unidades de saúde, sepultamentos seguros.”

Como o vírus se transmite e quem está mais exposto

O ebola é uma doença grave que afeta seres humanos e outros primatas, transmitida inicialmente por contato com animais selvagens, entre eles morcegos frugívoros, porcos do mato e primatas não humanos, considerados potenciais fontes da infecção.

A circulação entre pessoas ocorre principalmente pelo contato direto com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de infectados, vivos ou mortos, e por tocar superfícies ou objetos contaminados com esses fluidos, como roupas de cama e vestuário.

O período de incubação varia de dois a 21 dias, tempo no qual a pessoa infectada ainda não é contagiosa, e os primeiros sinais clínicos incluem febre, fadiga, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta, que podem evoluir para vômitos, diarreia, dor abdominal, erupções cutâneas e comprometimento renal e hepático, com ocorrência menos frequente de sangramentos internos e externos.

Profissionais de saúde, cuidadores e pessoas envolvidas em rituais fúnebres que tocam cadáveres sem precauções, estão no grupo de maior risco de exposição durante surtos, razão pela qual as medidas de proteção e o treinamento de equipes são essenciais.

Diagnóstico, terapias aprovadas e medidas de prevenção

O diagnóstico definitivo depende de testes laboratoriais, já que os sintomas iniciais podem ser indistinguíveis de outras doenças infecciosas prevalentes, como malária, febre tifoide e meningite.

O tratamento precoce e intensivo, com reposição de líquidos por via oral ou intravenosa e manejo dos sintomas, melhora as chances de sobrevivência. Para a doença causada pelo vírus ebola do tipo Zaire, existem tratamentos aprovados com anticorpos monoclonais, e os fármacos Ansuvimab e Inmazeb são citados como opções validadas para adultos e crianças.

Para infecções por outros ortoebolavírus, incluindo o Bundibugyo, não há terapias aprovadas até o momento, e tratamentos experimentais seguem em avaliação. Em relação a vacinas, duas formulações foram aprovadas para a variante Zaire, Ervebo e o esquema Zabdeno e Mvabea, sendo a Ervebo recomendada pela OMS como ferramenta de resposta a surtos identificados.

A orientação das autoridades de saúde inclui não recomendar cuidado domiciliar de pessoas com suspeita de ebola, buscar atendimento em centro de saúde e, em caso de óbito suspeito, não manusear o corpo e contatar imediatamente as equipes locais para realização de sepultamento seguro e digno.

Pessoas que tiveram contato direto com um caso confirmado ou suspeito devem entrar em contato com o serviço de saúde local para acompanhamento. O período de monitoramento é de 21 dias, com aferição diária de temperatura e relatórios de sintomas, além de recomendações para evitar viagens não essenciais e aceitar visitas de equipes de rastreamento.

Quanto a viagens e comércio, no momento não há recomendação de restrições gerais por parte da OMS, mas deslocamentos de quem teve contato próximo com infectados devem ser reduzidos ou supervisionados pelas autoridades de saúde pública.

Historicamente, o surto registrado entre 2014 e 2016 na África Ocidental foi o maior até hoje, com mais casos e mortes do que todos os surtos anteriores juntos, e serviu como referência para o desenvolvimento de respostas coordenadas e de vacinas que hoje integram as estratégias de combate à doença.

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