PMMS acende alerta com queda no efetivo e quase 300 baixas em um ano
Queda acelerada no número de militares ativos pressiona gestão por concurso e valorização interna
A redução expressiva do efetivo da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, que acumulou a saída de aproximadamente 300 policiais ao longo do último ano, reacende debates internos e externos sobre a necessidade de recomposição do quadro funcional. Atualmente, a corporação soma cerca de 5,8 mil policiais em atividade, bem abaixo dos 6,1 mil registrados no ano anterior. A progressiva aposentadoria dos agentes, muitos deles admitidos nos anos 1990, é apontada como um dos principais fatores para a diminuição das patrulhas e do efetivo disponível nas ruas.
Os números consolidam uma tendência observada nos últimos quatro anos, período em que cerca de mil policiais deixaram a instituição. Diante desse cenário, a PMMS realiza estudos técnicos e pretende formalizar ao governo estadual uma proposta para realização de novo concurso público, com o objetivo de suprir o déficit e dimensionar adequadamente o número de vagas e o impacto orçamentário da medida.
O comandante-geral, coronel Renato dos Anjos Garnes, afirmou que a análise pautará o pedido ao Executivo estadual de forma alinhada ao planejamento da gestão atual. “Nós estamos fazendo o estudo e a gente vai apresentar a realidade. Vamos chegar com proposta ao governo, mas tudo tem um momento certo”.
Demanda por concursos e histórico de reposição no estado
O último certame da corporação foi realizado em 2022, ofertando inicialmente 520 vagas – 500 destinadas a soldados e 20 para oficiais. Mesmo com a ampliação progressiva das convocações, a PMMS projeta que novas seleções serão necessárias nos próximos anos, impulsionadas pela contínua saída de militares para reserva remunerada. O histórico recente de concursos, como o realizado em 2018, sinaliza a importância do reforço para manutenção das atividades de segurança pública, sobretudo em um contexto de crescimento das demandas operacionais.
Mudanças no perfil de ingresso e participação feminina
Nos últimos anos, a PMMS passou por transformações estruturais no perfil exigido para ingresso. Desde 2016, o cargo de soldado requer nível superior completo, equiparando o padrão de formação a estados que buscam elevar o grau técnico e a qualidade do serviço. Para o oficialato, a regra exige bacharelado em Direito e preparação acadêmica de dois anos na Academia de Polícia Militar.
Segundo o comandante-geral, tais mudanças elevaram o padrão técnico da corporação e melhoraram a prestação de serviço: “Tem feito a diferença e nós em nenhum momento nos arrependemos. A qualidade da prestação de serviço evoluiu, melhorou bastante”.
Outro destaque é a inexistência de cotas restritivas para mulheres, vigente desde o período entre 2008 e 2009. Policiais de ambos os gêneros atuam conjuntamente em patrulhamento e demais operações, ampliando a diversidade e adaptando o perfil do quadro ativo.
Valorização interna e ampliação de promoções
Além de planejar a recomposição, o governo estadual autorizou medidas para valorização dos servidores, como a regularização das promoções internas e o aumento de vagas em cursos de formação e habilitação profissional. O secretário estadual de Administração, Roberto Gurgel, destacou que a gestão trabalha para colocar em dia quatro promoções previstas para 2025 e a primeira de 2026, além de expandir cursos internos para ascensão funcional.
Para o comando da PMMS, as ações atendem a antigas reivindicações dos militares estaduais. “Avançou muito nas nossas demandas, o calendário de promoções que será colocado em dia, bem como os cursos. Ou seja, uma agenda bem positiva”.
As iniciativas respondem à necessidade de fortalecer a estrutura da segurança pública diante do cenário de efetivo reduzido e crescente número de aposentadorias. Com isso, cresce a expectativa de abertura de um novo concurso, que já mobiliza candidatos em todo o país interessados em atuar na PMMS, considerada uma das seleções mais relevantes da área policial na região Centro-Oeste.

