Gripe registra avanço da variante K e aumento do VSR, alerta a Opas
A Organização Pan-Americana da Saúde emitiu um alerta sobre o começo da temporada de maior circulação de vírus respiratórios no Hemisfério Sul, destacando a presença crescente da variante K do Influenza A(H3N2) e o reforço simultâneo da circulação do vírus sincicial respiratório.
No alerta epidemiológico publicado na segunda-feira, a organização descreve o quadro na região. “consistente com o início gradual da temporada de inverno”. A avaliação liga esse cenário à experiência registrada no inverno do Hemisfério Norte no ano anterior.
A Opas ressalta que, apesar da atividade de influenza ainda ser relativamente baixa em vários países, já há sinais de elevação. “A atividade da Influenza permanece baixa, com sinais iniciais de aumento em alguns países, predominando o vírus A(H3N2)”. Esse comportamento aponta para uma progressão que exige monitoramento contínuo.
Além do aumento da circulação do Influenza, a entidade alerta para o risco de pressão sobre hospitais e serviços de saúde. “devem se preparar não apenas para uma temporada de potencial alta intensidade, mas particularmente para picos de demanda hospitalar concentrados em períodos curtos, que poderiam colocar à prova a capacidade de resposta dos serviços de saúde”. A mensagem reforça a necessidade de planejamento de capacidade e insumos.
No Brasil, o subclado K do H3N2 foi identificado em dezembro de 2025 e já responde por parcela relevante das amostras analisadas. Dos 607 testes de sequenciamento realizados até 21 de março, 72% corresponderam ao subclado K, segundo informações oficiais do Ministério da Saúde.
Indicadores laboratoriais nacionais mostram que a positividade para influenza esteve abaixo de 5% no primeiro trimestre, mas começou a subir no fim de março, alcançando 7,4% do total de testes. Essa trajetória tem sido vista como sinal de transição para maior circulação viral ao longo do outono e do inverno.
O boletim Infogripe divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz na quarta-feira confirma o aumento de síndromes respiratórias graves ligadas a Influenza A e VSR em todo o país. Em 2026 já foram notificados mais de 46 mil casos de SRAG no Brasil e, entre os confirmados por laboratório, 26,4% foram causados por Influenza A e 21,5% por vírus sincicial respiratório.
O relatório da Fiocruz indica que 24 das 27 unidades federativas estão em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG, e que em 16 estados há tendência de aumento de casos a longo prazo. Nas últimas quatro semanas a proporção de resultados positivos por Influenza A subiu para 31,6% enquanto a de infecções por VSR atingiu 36,2%.
Vacinação e medidas de controle
Diante da composição simultânea de vírus respiratórios, a Opas recomenda intensificar campanhas de imunização para reduzir internações e mortes. A vacinação contra a gripe aplicada no Brasil é atualizada anualmente e incorpora as cepas mais observadas no inverno do Hemisfério Norte, incluindo a H3N2 na formulação deste ano.
A eficácia da vacina observada no Hemisfério Norte é citada como evidência de benefício, com redução de internações pediátricas em alguns países do Norte. O país mantém campanha nacional com prioridade para crianças menores de 6 anos, idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e outros grupos de risco, além de trabalhadores da saúde, populações indígenas, professores e presos.
O Sistema Único de Saúde oferta também a vacina contra o vírus sincicial respiratório para gestantes, com a finalidade de proteger recém-nascidos contra bronquiolite e outras complicações associadas ao VSR.
Para reduzir a transmissão, a Opas reforça recomendações de higiene pessoal e comportamentos de prevenção. “Lavar as mãos é a forma mais eficiente de diminuir a transmissão. Pessoas com febre devem evitar ir ao trabalho ou a locais públicos até que a febre diminua. Da mesma forma, crianças em idade escolar com sintomas respiratórios, febre ou ambos devem ficar em casa e não ir à escola”. A orientação é incorporar essas práticas nas rotinas escolares e laborais.
Autoridades de saúde brasileiras mantêm o sequenciamento e a vigilância por amostragem para acompanhar a circulação dos subclados e orientar respostas. A combinação de vigilância laboratorial, vacinação dirigida e medidas de higiene é apontada como central para mitigar picos de demanda hospitalar nas próximas semanas.

