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Polícia prende suspeitos por violação de túmulo e necrofilia contra vítima de feminicídio em MS

Cemitério municipal com faixa policial e drone sobrevoando, em cena sóbria e sem pessoas identificáveis.

A Polícia Civil prendeu em flagrante os homens apontados pela violação do túmulo de Vera Lúcia da Silva, 41 anos, no cemitério municipal de Eldorado. Os investigados admitiram a retirada do corpo e confessaram prática de necrofilia. Um deles fugiu para área de mata e foi localizado com apoio de drone, e todos permanecem detidos e vão responder por vilipêndio de cadáver.

As apurações foram coordenadas pela Delegacia de Polícia de Eldorado sob responsabilidade do delegado Robilson Júnior Albertoni. “Após o sepultamento da vítima, no amanhecer da quarta-feira, os funcionários do cemitério municipal, ao chegarem lá, perceberam que o túmulo estava violado e ela havia sido retirada para fora. Além da violação do túmulo, as suas vestes da parte de baixo também haviam sido retiradas, aparentando que havia ocorrido ali uma violação sexual contra ela”.

Vera foi morta a tiros dentro de casa pelo ex-companheiro, que em seguida tirou a própria vida no quintal da residência. A filha do casal, de 9 anos, presenciou o crime. O relacionamento teve cerca de 13 anos e segundo apurado incluía histórico de violência doméstica, e a vítima havia solicitado medida protetiva. Vera trabalhava na Secretaria Municipal de Educação.

A filha da vítima, Letícia Gabrielly, relatou ao Campo Grande News o impacto da nova agressão à família. “Foi como enterrar minha mãe pela segunda vez.” Em outro trecho de suas declarações ela afirmou o sentimento em relação ao ato contra a sepultura. “É um desrespeito, uma falta de empatia, uma falta de humanidade. Eu só quero respeito pela minha família e pela trajetória dela.”

A ocorrência é tratada como vilipêndio de cadáver no Código Penal e ganhou repercussão pela sequência de violência contra a vítima, que foi assassinada e teve o corpo violado dias depois. As diligências da polícia identificaram e prenderam os envolvidos em menos de um dia. Um dos suspeitos tentou fugir ao perceber a aproximação das equipes e foi localizado após buscas durante a noite com uso de drone; na delegacia ele confessou e indicou a participação de outros dois.

Nos últimos cinco anos Mato Grosso do Sul registrou 17 casos de vilipêndio de cadáver segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública. Em casos de violência contra mulheres, crianças, idosos ou qualquer pessoa em risco a Central 180 funciona 24 horas de graça e a ligação pode ser anônima.

Em Campo Grande o Grupo Amor Vida presta apoio emocional gratuito pelo 0800 750 5554 e também é possível procurar atendimento no Núcleo de Saúde Mental, no CAPS ou pelos telefones 141 e 188 do CVV; em situações emergenciais contate 190 da Polícia Militar ou 193 do Corpo de Bombeiros.

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