Irã afirma que Ormuz jamais voltará ao status anterior e desafia ultimato de Trump

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A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou que o Estreito de Ormuz não retornará ao estado anterior e informou estar preparando medidas operacionais para uma nova configuração da região, em desafio direto a um ultimato do presidente dos Estados Unidos.

“A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica está concluindo os preparativos operacionais para a nova ordem do Golfo Pérsico” O comunicado, publicado em redes sociais no domingo, afirma intenção de estabelecer regras de passagem em parceria com Omã, sem a interferência de potências estrangeiras no Golfo Pérsico.

O fechamento do Estreito de Ormuz, pelo qual circulam cerca de 20% do petróleo e gás mundial, foi mantido desde o início da agressão dos EUA e de Israel contra o Irã, com passagem permitida apenas a navios autorizados por Teerã, conforme o próprio comunicado naval.

No domingo, o presidente dos EUA fixou prazo para a reabertura do canal e recorreu a termos ameaçadores que tornam explícita a pressão sobre Teerã. “o inferno” aparece entre as expressões usadas por Trump ao condicionar uma resposta se o Estreito não for reaberto até terça-feira, além de referências a destruir o Irã “enquanto nação” e a levar o país para a “Idade das pedras”.

Um documento com 15 pontos, divulgado nas redes e atribuído à proposta de Washington para o fim da guerra, inclui demandas que vão do fim do programa nuclear pacífico iraniano ao desmantelamento do programa balístico, e tem sido tratado por Teerã como inaceitável.

Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, rejeitou as condições apresentadas pelos EUA. “altamente excessivas e incomuns, além de ilógicas” foi a caracterização usada para as propostas norte-americanas, segundo a fala oficial.

O Irã exige compensação financeira pelos danos causados pelos ataques, a retirada definitiva das bases militares dos Estados Unidos da região e um encerramento definitivo da guerra que abranja frentes no Líbano e na Faixa de Gaza, conforme as exigências oficiais anunciadas em Teerã.

Do ponto de vista militar, a cúpula iraniana ressaltou que a intenção é levar o inimigo a um arrependimento que impeça novas agressões. “Declaramos categoricamente que o inimigo falhou nesta fase da guerra em alcançar seus objetivos e foi derrotado” disse o porta-voz do Exército, em comunicado citado por agências iranianas, reforçando a percepção de que as forças iranianas consideram alcançada uma vitória nesta etapa do confronto.

Em vídeo divulgado pelo Quartel-General Khatam al-Anbiya, o porta-voz Ibrahim Zulfiqari listou alvos atingidos na 98ª onda de ataques contra instalações ligadas a Israel e aos EUA no Oriente Médio, incluindo um navio porta-contêineres SDN e locais em Tel Aviv, Haifa, Be’er Sheva e Bat Hafer, e advertiu sobre respostas contundentes a novos ataques contra civis. “Caso os ataques a alvos civis se repitam, a próxima fase de nossas operações ofensivas e retaliatórias será realizada com intensidade e abrangência muito maiores, e as perdas e os danos sofridos pelo inimigo, caso persista nessa abordagem, serão multiplicados muitas vezes” revelou a nota do comando.

O contexto de retaliações e represálias também traz episódios de maior escalada no terreno. O Irã confirmou o assassinato do chefe de inteligência da Guarda Revolucionária, brigadeiro-general Seyed Majid Khademi, morto em um ataque aéreo israelense em Teerã, informação que contribui para elevar a tensão entre as partes.

Implicações regionais e diplomáticas

O anúncio iraniano de estabelecer novas regras para a passagem pelo Estreito e de cooperação com Omã implica uma tentativa de realinhar o controle local sobre um ponto estratégico global, colocando em choque os interesses de potências externas que dependem da rota marítima.

Na esfera diplomática, as posições rígidas apresentadas por Teerã e o ultimato formulado por Washington sugerem que o prazo estipulado por Trump ampliou a tensão imediata, sem, até o momento, sinais de convergência sobre os termos exigidos para o fim das hostilidades.

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