Argentina acusada de racismo no Rio de Janeiro paga indenização e retorna a Buenos Aires
O repasse de mais de 97 mil reais aos funcionários de um bar no Brasil permitiu que a argentina Agostina Páez retornasse ao seu país de origem na quarta-feira. A transferência do valor garantiu a retirada da tornozeleira eletrônica da acusada de racismo e a autorização para a viagem internacional.
O montante transferido corresponde à metade da quantia sugerida pelo Ministério Público para reparar os danos causados aos três profissionais do estabelecimento carioca. A ação penal continua tramitando em segredo na 37ª Vara Criminal do Rio de Janeiro sem manifestações oficiais do Tribunal de Justiça sobre os próximos passos.
O conflito ocorreu no dia 14 de janeiro em Ipanema após a cliente imitar um macaco e chamar um dos atendentes de “mono” por causa de uma divergência sobre a conta. A justificativa inicial da defesa tratava os gestos como uma brincadeira com amigas, mas essa narrativa acabou contestada pelo Ministério Público.
Durante um encontro com jornalistas no consulado, a acusada relatou seu arrependimento e detalhou a dinâmica da sua retratação diante dos trabalhadores ofendidos na sala de audiência. “Cada vítima fazia declarações e ao final disso eu lhes pedia desculpas, em separado, olhando no olho e pedindo-lhes perdão.”
A representante legal da estrangeira utilizou as redes sociais para compartilhar imagens da viagem e refletir sobre a postura do sistema judiciário brasileiro diante do caso. “Soube reconhecer o erro de uma jovem, mas, ao mesmo tempo, enxergar que esse erro não define uma vida inteira.”
A profissional ainda destacou a atitude dos trabalhadores ofendidos durante o encerramento das negociações financeiras. “Foi possível conceder perdão às vítimas, que demonstraram uma generosidade imensa ao compreender que ele aprendeu, se transformou e hoje é outra pessoa.”

