Lula diz que guerra contra o Irã é desnecessária e baseada em mentira
Ao abordar a guerra contra o Irã em entrevista ao vivo à TV Cidade, em Fortaleza, o presidente qualificou o conflito como evitável e contestou a justificativa apresentada por Washington e Tel Aviv. “Os Estados Unidos da América do Norte se meteram a fazer uma guerra desnecessária no Irã, alegando que, no Irã, tinha arma nuclear ou que estavam tentando fazer arma nuclear. É mentira”
Em seguida, o presidente explicou a origem de sua dúvida sobre as alegações externas, recordando negociações conduzidas em 2010 que, segundo ele, poderiam ter evitado o atual impasse. “Eu digo que é mentira porque eu fui, em 2010, ao Irã, fazer um acordo. E fizemos um acordo que, depois, os EUA não aceitaram nem a União Europeia. Fizemos um acordo para que o Irã pudesse enriquecer o urânio com os mesmo métodos que o Brasil, porque, aqui, nossa Constituição diz que a gente só pode utilizar para fins pacíficos”
Ao traçar um panorama político da região, o presidente afirmou que a existência de um desacordo entre os Estados não justificaria uma intervenção militar de grande escala e ressaltou a dimensão demográfica e histórica do Irã. “Não tem arma nuclear lá. Ou seja, se tem uma divergência política entre Israel, Estados Unidos e Irã, não precisava terminar em guerra. Eles achavam que tinham acabado a guerra porque mataram o Khamenei. Não acabaram a guerra. O Irã é um país com quase 100 milhões de habitantes e uma cultura milenar”
Um mês de ataques e impactos globais
As operações combinadas de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano completaram um mês nesta semana, sem um acordo que encerre o confronto. Autoridades importantes do país persa estão entre os mortos, incluindo o líder supremo, Ali Khamenei. A crise levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% das cargas de petróleo no mercado internacional, e já provocou alta de cerca de 50% no preço do barril, segundo levantamento de mercado. Pesquisadores alertam ainda para riscos ambientais e climáticos associados ao conflito.
Medidas do governo sobre o diesel
O presidente voltou a demonstrar preocupação com a escalada do preço do óleo diesel no Brasil, combustível que sustenta o transporte rodoviário de cargas e, por consequência, afeta cadeias produtivas de alimentos e produtos. O país depende da importação de cerca de 30% do diesel que consome, o que o torna sensível à volatilidade do mercado internacional
Sobre a fiscalização para conter aumentos abusivos, Lula detalhou a atuação das autoridades e anunciou medidas enérgicas. “Nós estamos, com a Polícia Federal, com todos os Procons dos estados, fiscalizando, e vamos ter que colocar alguém na cadeia. [A fiscalização] está ativa, minha ordem é para estrada, posto de gasolina”
O presidente também relacionou a mudança de comportamento dos preços nas bombas com a privatização de distribuidoras no passado. “A Petrobras baixa o preço, mas não chega na bomba. Quando a gente tinha a BR Distribuidora, podia chegar na bomba, porque o posto era nosso”
O governo federal pretende publicar ainda nesta semana uma medida provisória que institui um subsídio ao diesel importado, com desconto de R$ 1,20 por litro, projeto confirmado nesta terça-feira pelo ministro Dario Durigan. A proposta prevê custo total de R$ 3 bilhões ao longo de dois meses, dividido igualmente entre a União e os estados, e busca evitar desabastecimento diante da defasagem entre preços internos e internacionais. Cerca de 80% dos estados já indicaram intenção de adesão, conforme informações do Ministério da Fazenda

