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Biodiversidade do Pantanal e de Bonito atrai turismo e reforça conservação

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O Mato Grosso do Sul ganhou foco internacional com a realização da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, CMS COP15, reunindo representantes de 133 países em Campo Grande entre segunda-feira (23) e domingo (29). A escolha do Estado reforça seu papel como ponto de parada estratégico para migrações que atravessam o continente americano e como vitrine de turismo de natureza.

Pantanal como corredor de migração e amostra da biodiversidade

Com cerca de 250 mil quilômetros quadrados de extensão e 67% desse território localizado no Mato Grosso do Sul, o Pantanal funciona como uma grande planície inundável que oferece abrigo e alimento durante longas travessias saindo do Hemisfério Norte. Rodrigo Agostinho, presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), relacionou a importância do bioma ao tema da conferência.

“A COP de biodiversidade, no que diz respeito à espécies migratórias, ela é de extrema importância para o Brasil e tem muito a ver com o Pantanal, que é a maior planície inundável do planeta. Com dois terços que estão no Mato Grosso do Sul, um terço no Mato Grosso, e envolve também áreas na Bolívia e no Paraguai. Nós estamos falando de um dos principais pontos de parada de espécies migratórias do Hemisfério Norte, que saem do Alasca, da bacia do Rio Hudson, de Ontário, e descem por dentro do continente ou contornando a costa e vêm parar aqui no Pantanal para descansar, esperar o fim do frio do Hemisfério Norte”

Além do papel de abrigo para visitantes sazonais, o bioma concentra alta diversidade de fauna e flora, composta por espécies típicas do Pantanal, mas também por representantes da Amazônia, do Cerrado, da Mata Atlântica e do Chaco. Estimativas apontam para mais de 4,7 mil espécies de animais e plantas no Pantanal, entre aves, peixes, mamíferos, répteis e anfíbios.

Em áreas turísticas e em reservas privadas, a observação de aves e de grandes mamíferos é rotineira. Em pontos como o Buraco das Araras, na Área de Proteção Ambiental Serra da Bodoquena, turistas registram araras, mutum, garças e bem-te-vi, enquanto no chão aparecem cervo-do-pantanal, tatu, tamanduá e ema.

Bonito e Serra da Bodoquena como polo de turismo sustentável

Bonito e a Serra da Bodoquena, ao lado do Pantanal, consolidaram-se como referência global em práticas de turismo responsável. A cidade foi o primeiro destino de ecoturismo a receber Certificação Carbono Neutro e tem atrativos certificados como clima positivo, reconhecidos por iniciativas internacionais, o que amplia a credibilidade do destino junto a visitantes conscientes.

Bruno Wendling, diretor-presidente da Fundtur (Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul), destacou a oportunidade trazida pelo evento para juntar promoção e conservação.

“Além do evento da COP15 é uma oportunidade de mostrar as belezas naturais do Mato Grosso do Sul e todo o trabalho de conservação da Rota Pantanal Bonito”

O destino Bonito/Serra da Bodoquena conquistou prêmios nacionais de forma recorrente e integra manuais de adaptação ao clima para destinos turísticos, fortalecendo um modelo que busca conciliar conservação ambiental e desenvolvimento local.

Na prática, a coexistência entre atividade agropecuária e proteção ambiental tem sido incentivada por boas práticas como o uso de reservas legais e de matas ciliares como corredores ecológicos. Lucas Yanai, biólogo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Bonito e observador de aves, exemplificou a importância dessas conexões territoriais.

“A natureza é muito resiliente e existem boas práticas de propriedades que utilizam a área de reserva legal como corredores ecológicos. As matas ciliares muito importantes porque elas se tornam corredores naturais para os animais. A conexão das propriedades com áreas de reserva, parques de preservação e unidades de conservação são muito importantes. Então, especificamente sobre os animais migratórios, essas ilhas são importantes, como dormitório, área de reprodução e alimentação. A gente tem boa parte do Pantanal, cadeias de montanhas, a Serra de Maracaju e da Bodoquena, áreas de cavernas calcárias. Então são ambientes extremamente distintos e tão próximos uns dos outros e que se relacionam o tempo todo. E junto dessa geografia, são muitos animais em um curto território com muita biodiversidade”

Na prática de campo, observadores registram espécies visitantes como pernilongo-de-costas-brancas (Himantopus melanurus), irerê (Dendrocygna viduata) e marreca-cabocla (Dendrocygna autumnalis), que encontram nos campos pantaneiros alimento e abrigo durante a travessia migratória.

Do ponto de vista da gestão do turismo, fazendas e pousadas locais adaptaram estruturas para receber público sem descaracterizar a vida rural, integrando a pecuária tradicional ao turismo de observação, com guias especializados que conduzem passeios em barcos-hotel, lodges e trilhas.

Edir Alves da Silva, guia de turismo que atua em fazendas do Pantanal, relacionou a experiência dos visitantes ao encontro com espécies emblemáticas do bioma.

“O Pantanal tem diversos animais que hoje em dia, infelizmente, a gente não encontra mais em algumas regiões. Com certeza, todos os turistas querem ver a onça. É um animal que impressiona não só os visitantes, e até mesmo a gente que está aqui e tem contato com esse animal. Mas também o tamanduá-bandeira, tuiuiú e até o pintado. É um peixe que alguns ficam empolgados, emocionados em ver um animal diferente e único”

Rodrigo Agostinho também conectou a discussão das rotas migratórias a temas de saúde e conservação, apontando riscos e a necessidade de estratégias integradas para proteção das espécies.

“É muito importante a conservação dessas espécies. Elas fazem a reciclagem de nutrientes para a polinização, dispersão de sementes, controle de pragas. Então é muito importante uma estratégia em relação a isso. Tem muito a ver com temas da atualidade, como, por exemplo, da gripe aviária. Muitas dessas espécies também disseminam a gripe aviária. Nós estamos no lugar certo para falar desse assunto”

O turismo de observação de aves, conhecido como birdwatching, e o segmento de flutuação em rios cristalinos como o Rio da Prata e o Olho D’Água ajudam a projetar o estado internacionalmente. Mato Grosso do Sul registra mais de 670 espécies de aves, cerca de 35% da avifauna brasileira, o que reforça sua atratividade para observadores do mundo inteiro.

Ao trazer gestores, cientistas e operadores do setor para o mesmo espaço, a COP15 abriu espaço para discutir políticas e práticas que mantenham a integridade dos corredores migratórios e, ao mesmo tempo, fortaleçam a atividade turística como instrumento de conservação e geração de renda.

A Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul atua na promoção e no desenvolvimento do turismo local, com ações de marketing, inteligência de mercado e governança para sustentabilidade, consolidando a Rota Pantanal Bonito como exemplo de integração entre conservação, inovação e desenvolvimento regional.

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