Relatório compara golpes online a remédios vencidos e defende punição a plataformas
Redes sociais e gigantes da tecnologia precisam ser obrigadas por lei a barrar fraudes financeiras em seus ambientes virtuais. A tese integra um levantamento conduzido por pesquisadores da Universidade Columbia, que equipara a exposição de usuários a golpes online ao risco de consumir medicamentos fora da validade ou comprar brinquedos defeituosos.
O estudo sustenta que a responsabilidade jurídica precisa recair sobre as organizações com maior facilidade e menor custo para prevenir os crimes. A ideia central transfere para companhias como Google e Meta o dever de monitorar ativamente seus sistemas de anúncios e algoritmos de recomendação.
A professora Anya Schiffrin destaca que a responsabilização das empresas ajudaria a proteger idosos, que são alvos frequentes de estelionatários. “Minha mãe, que tem 89 anos, recebe mensagens no Facebook de homens que se passam por solitários veteranos do Exército e as amigas dela recebem várias ligações de estelionatários que fingem ser os netos precisando de dinheiro.”
A difusão de conteúdos manipulados por inteligência artificial agravou o cenário global, multiplicando os prejuízos e expondo falhas nos sistemas de moderação. O documento cita dados da agência Reuters apontando que a Meta chega a faturar bilhões de dólares anualmente com propagandas enganosas impulsionadas para perfis vulneráveis, embora a empresa argumente que as informações estejam descontextualizadas.
Uma das soluções propostas envolve a checagem universal de identidade dos anunciantes antes da veiculação de qualquer campanha publicitária, medida que encontra resistência financeira. “A verificação de identidade de todos os anunciantes seria uma opção eficaz, mas a Meta reluta em pagar por ela.”
O modelo de validação já é adotado pelo Google desde o ano de dois mil e vinte, alcançando a grande maioria de seus clientes ativos. Os acadêmicos ressaltam que a regulação também precisa englobar operadoras de telefonia e aplicativos de mensagens criptografadas, como Telegram e WhatsApp.
A dinâmica dos cibercrimes funciona como uma cadeia produtiva complexa, que começa na criação da fraude, passa pela distribuição e termina na lavagem do dinheiro roubado em esquemas internacionais. A pesquisadora Anusha Wangnoon detalha que os mensageiros poderiam dificultar o processo ao confirmar a identidade dos perfis, limitar envios em massa e criar travas nas transações financeiras.
Diversos países já implementam barreiras para tentar quebrar esse ciclo criminoso focado em extorsão e engenharia social. Malásia e México limitam a compra de chips de celular, enquanto nações europeias e a Austrália cobram das plataformas uma prestação de contas sobre os esforços para evitar delitos.
O combate efetivo exige alinhamento entre diferentes jurisdições e um endurecimento das regras contra a evasão fiscal para sufocar o crime organizado. “Os danos não se limitam ao dinheiro, mas incluem também o prejuízo à reputação das pessoas cujas identidades são falsificadas, além de danos sociais mais amplos causados pela erosão da confiança pública, os golpes corroem a fé no sistema.”

