Frentes no Líbano e Iraque surpreendem e complicam ofensiva de Israel e dos EUA

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Forças alinhadas ao Irã têm ampliado frentes que têm surpreendido as estratégias militares de Israel e dos Estados Unidos. Na fronteira sul do Líbano, o Hezbollah afirma ter realizado, em um curto espaço, operações diárias e divulgou que “quase” 100 tanques Merkava foram destruídos nesse período de guerra. Somente nas últimas 24 horas, o grupo libanês teria realizado 103 operações contra Israel.

No plano iraquiano, o ataque a um quartel-general e a uma clínica ocupada por milícias pró-Irã na cidade de Habbaniyah deixou 15 mortos entre combatentes das Forças de Mobilização Popular, o que levou o governo de Mohammed Shia al-Sudani a endurecer o tom contra Washington e a autorizar as FMP a exercerem o direito à autodefesa. O Executivo convocou o encarregado de negócios dos EUA em Bagdá e apresentou uma “carta de protesto veemente”.

Líbano

A presença operacional do Hezbollah no sul do Líbano tem forçado Israel a dividir recursos e atenção entre frentes simultâneas, reduzindo a margem de manobra de Tel Aviv na região, conforme avaliações de analistas a partir de entrevistas públicas. “Com a morte do Ali Khamenei, eles voltam muito articulados, com muita capacidade tática, com muitos equipamentos. Eles têm ainda muitos mísseis e foguetes. Dezenas e dezenas de tanques Merkava devem ter sido destruídos mesmo. É uma condição difícil para Israel”

O recurso a drones de ataque de pequeno porte também vem sendo destacado como fator de pressão sobre as forças blindadas israelenses. O major-general Agostinho Costa observou o impacto tático desses sistemas. “extremamente eficazes contra tanques porque os ataca nos locais mais vulneráveis. Esses meios conferem vantagem tática sobre as unidades blindadas que são a base da capacidade ofensiva do exército israelense”

Além disso, há incerteza sobre a real capacidade de defesa aérea israelense diante da combinação de mísseis iranianos e ataques coordenados do Hezbollah. A divulgação oficial de Tel-Aviv indica cerca de 90% de interceptação, mas especialistas ponderam que o 10% remanescente pode atingir alvos estratégicos. “Se eles interceptarem 90% dos mísseis e se 10% entram, esses 10% que entram criam um problema real para Israel, porque eles atingem alvos estratégicos”

Iraque

Em Bagdá, a tensão elevou-se com a responsabilização de grupos pró-Irã por ataques a instalações e por ações contra interesses norte-americanos. A Resistência Islâmica no Iraque reivindica ataques com drones e mísseis contra bases no país e contra a embaixada dos EUA, enquanto a Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá passou a publicar alertas de segurança dirigidos ao público. “Não tente ir à embaixada em Bagdá ou ao consulado-geral em Erbil devido ao risco contínuo de mísseis, drones e foguetes no espaço aéreo iraquiano”

O episódio de Habbaniyah e a resposta do governo iraquiano, ao autorizar as FMP a se defenderem e ao levar reclamações formais a Washington, ampliaram a dimensão política e militar do teatro iraquiano, pressionando por uma revisão das presenças estrangeiras no país e contabilizando impactos operacionais na capacidade dos EUA de sustentarem posições locais.

Do ponto de vista estratégico, analistas consultados destacam que, após quase um mês de confrontos, o Irã e seus aliados parecem manter iniciativa ofensiva em diversos domínios, incluindo mísseis, drones e ações navais com embarcações rápidas. “O Irã apresentou, tanto no domínio dos mísseis, como no domínio dos drones, como na parte marítima com enxames de embarcações rápidas que lançam mísseis antinavio, um conjunto de soluções para as quais o poder aéreo norte-americano e israelense estão anuladas”

Os analistas também chamam atenção para a sequência contínua de lançamentos atribuída ao Irã desde o início do conflito e para técnicas de disparo que complicam a defesa. “Não nos parece que o Irã tenha sido substancialmente debilitado. Os principais centros para lançamento são a partir do chão, do subsolo. Os mísseis movimentam-se em túneis, abrem umas tampas de aço e são lançados, fechando antes de dar tempo de reação da parte norte-americana ou israelense”

Segundo interpretações de especialistas, a articulação entre ações no Líbano, no Iraque e disparos com mísseis e drones contribui para uma vantagem estratégica iraniana, enquanto EUA e Israel enfrentam limitações operacionais e pressões políticas externas que buscam uma resolução negociada. “Reativar a frente libanesa com o Hezbollah dividiu a força israelense em duas frentes. A vitória das milícias iraquianas, forçando a saída dos americanos de lá, enfraquece do ponto de vista simbólico e real, porque aumenta a capacidade defensiva do Irã. E a resiliência iraniana revela que, se eles tentarem entrar por terra ou mar, o problema vai ficar pior ainda”

O quadro atual, marcado por ações diárias do Hezbollah, reivindicações e contra-ataques no Iraque, e pela manutenção da capacidade ofensiva iraniana, mantém elevada a incerteza sobre os próximos passos militares e diplomáticos na região.

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