Onça-pintada cruza fronteiras e se torna destaque na COP15
A importância ecológica do maior felino das Américas ganha atenção internacional em conferência no Brasil, destacando sua capacidade de se mover por vastos territórios sem barreiras políticas
A onça-pintada, conhecida por sua impressionante capacidade de deslocamento e por ser o maior felino do continente americano, tornou-se um dos principais focos da Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), realizada em Campo Grande.
O comportamento natural do animal, que atravessa fronteiras entre países sem reconhecer limites políticos, foi apontado por especialistas como um motivador crucial para o debate global sobre sua conservação.
A mobilidade frequente é uma das características mais marcantes da espécie, especialmente entre machos jovens em busca de novos territórios. Conforme explicou Felipe Feliciani, analista de conservação do WWF-Brasil, “As onças-pintadas se deslocam muito, andam dezenas de quilômetros todos os dias, principalmente machos jovens em processos de dispersão”.
Essa movimentação permite que os felinos circulem por vastas áreas naturais, muitas vezes cruzando regiões de diferentes nações como Brasil, Paraguai e Bolíquia, o que exige uma abordagem internacional para garantir sua sobrevivência.
Um dos pontos centrais discutidos no painel “Um continente, uma onça-pintada: construindo conectividade transfronteiriça na América do Sul” foi a inaptidão da onça-pintada em reconhecer barreiras políticas. Isso significa que um mesmo animal pode habitar e transitar por diversos países ao longo de sua vida.
Ramon Torres, representante do Ministério do Ambiente do Paraguai, ressaltou a necessidade de grandes áreas naturais para o animal. “É importante, um elemento tão importante como o jaguar, que não reconhece limites fronterísticos políticos, mas só requer espacios naturais para poder se mover”, afirmou. Esta característica reforça a importância de discussões em eventos internacionais como a COP15.
Além de seu tamanho e força, a onça-pintada é valorizada como um indicador da saúde ambiental. Por estar no topo da cadeia alimentar, a presença desse felino em uma área significa que o ecossistema local está saudável. Felipe Feliciani destacou que
“As onças-pintadas são animais topo de cadeia, ou seja, a presença da onça-pintada num território demonstra que aquele território está saudável”, o que implica alimento suficiente e equilíbrio ecológico na região.
O Pantanal, bioma que se estende por parte do Mato Grosso do Sul, é considerado uma das áreas mais vitais para a onça-pintada no Brasil, concentrando populações expressivas e estando próximo a fronteiras internacionais, segundo Carlos Eduardo Marinello, chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
“O Pantanal é simbólico para esse debate, porque concentra populações importantes de onça-pintada e está próximo de fronteiras com outros países”, pontuou Marinello. Apesar de a situação atual ainda não ser considerada crítica, especialistas alertam para a necessidade de atenção diante das recentes alterações ambientais.
De acordo com o biólogo Rogério Cunha de Paula, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o cenário se mantém estável, mas pode ser comprometido caso os impactos ambientais continuem.
“Ele ainda não chegou no ponto crítico, mas se a gente deixar descontrolado pode vir a ser um problema”, advertiu. Fatores como mudanças no fluxo natural de água e o aumento de incêndios são exemplos de elementos que podem afetar diretamente o habitat das onças.
Adicionalmente à sua relevância ecológica, a onça-pintada representa um dos símbolos naturais mais proeminentes do Pantanal e da rica biodiversidade brasileira. Sua presença é um motivo de orgulho para o território e para o estado do Mato Grosso do Sul, conforme reiterou Felipe Feliciani.
