Meta e Google são condenadas por vício de jovem em redes sociais

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Um tribunal de Los Angeles determinou que as gigantes da tecnologia Meta e Google criaram plataformas intencionalmente viciantes que prejudicaram a saúde mental de uma jovem. O veredito inédito foi proferido pela juíza Carolyn Kuhl na última quarta-feira após cinco semanas de julgamento.

Os jurados consideraram a empresa dona do Facebook e Instagram responsável por 70% dos danos sofridos pela autora da ação de 20 anos identificada apenas como Kaley. O YouTube, pertencente ao Google, foi responsabilizado pelos 30% restantes dos problemas relatados no processo.

A deliberação judicial deve impactar centenas de ações semelhantes que correm atualmente no sistema de justiça dos Estados Unidos. A Meta divulgou um comunicado oficial para expressar discordância respeitosa com o resultado e informar que avalia suas alternativas legais.

Outras empresas do setor de tecnologia também faziam parte do processo original movido pela jovem americana. As plataformas Snap e TikTok optaram por firmar acordos confidenciais com a parte autora antes do início das audiências no tribunal.

Documentos internos e foco em adolescentes

O julgamento focou majoritariamente nas práticas do Instagram e expôs comunicações internas da cúpula da Meta. O advogado de acusação Mark Lanier apresentou mensagens de 2019 nas quais o ex vice-primeiro-ministro britânico e chefe de assuntos globais da empresa Nick Clegg questionava a falta de aplicação das restrições de idade.

O executivo demonstrou preocupação com a postura da companhia diante do acesso de crianças aos aplicativos. “Isso tornava difícil afirmar que estamos fazendo tudo o que podemos.”

A equipe jurídica da jovem também revelou uma pesquisa externa de 2019 encomendada pelo próprio Instagram sobre o comportamento do público jovem. O levantamento indicou que os adolescentes mantinham uma narrativa de vício e desejavam se preocupar menos com a rede social.

O diretor executivo da Meta Mark Zuckerberg compareceu ao tribunal em fevereiro para defender as políticas da empresa focadas em proibir usuários menores de 13 anos. Ele argumentou que a pesquisa externa não foi conduzida internamente e que a companhia sempre buscou o ponto certo ao longo do tempo para identificar o público infantil.

O empresário justificou as ações da companhia citando o serviço Messenger Kids como uma alternativa regulamentada voltada para o público infantil. “Não era muito popular, mas uso com meus próprios filhos.”

Mensagens de 2015 e 2017 mostraram Zuckerberg estabelecendo metas claras para reverter a queda de engajamento e focar nos adolescentes como prioridade principal. O advogado de defesa Paul Schmidt argumentou que a Meta realiza pesquisas constantes para aprimorar as plataformas e destacou que o uso do Instagram não causou os problemas da jovem.

Presença de famílias enlutadas no tribunal

O julgamento foi acompanhado presencialmente por pais que perderam seus filhos e buscam responsabilização das redes sociais. Lori Schott compareceu ao local usando um broche com a fotografia de sua filha Annalee Schott, que cometeu suicídio aos 18 anos de idade.

A mãe enlutada criticou a falta de ação das empresas de tecnologia para modificar as recomendações e evitar novas tragédias envolvendo jovens. “Não levaria muito tempo para alterar o conteúdo algorítmico para que as crianças não se suicidem.”

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andorinha

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