Ataques atingem quase 400 unidades de saúde no Líbano e no Irã
Quase 400 unidades de saúde foram atingidas em ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos, com 70 centros no Líbano e 313 no Irã, segundo números oficiais divulgados nesta terça-feira.
Conforme informou o Ministério da Saúde do Líbano, desde 2 de março 70 unidades de saúde foram alvo de bombardeios, um aumento acelerado em relação ao dado registrado há duas semanas, quando 18 centros haviam sido contabilizados.
As agressões no Líbano resultaram na morte de 42 profissionais de saúde e ferimentos em outros 119, além de forçar o fechamento de cinco hospitais e a suspensão de atendimento em pelo menos 54 unidades básicas, segundo informações do governo local.
Em Nabatieh dois paramédicos foram assassinados após um ataque israelense contra um comboio de motocicletas, conforme reportagem da Agência Nacional de Notícias do Líbano, veículo estatal.
A Organização Mundial da Saúde tem confirmado dados do governo libanês e alertado para o impacto sobre a capacidade de atendimento em um sistema já saturado pelo conflito. O informe da agência internacional destaca efeitos sobre pacientes e profissionais em tratamento e recuperação.
“Desde o início da escalada, profissionais e instalações de saúde no Líbano têm sido repetidamente afetados por ataques, incluindo incidentes que resultaram em múltiplas mortes e feridos. A infraestrutura de saúde foi gravemente afetada”
A Força de Defesa de Israel afirmou que o Hezbollah fez uso militar de ambulâncias e instalações médicas nas áreas de combate e que agirá caso a prática persista, declaração reproduzida em meio à cobertura do caso pelo jornal The Times of Israel.
“uso militar extensivo”
A Anistia Internacional contestou as acusações quando usadas para justificar ataques a serviços médicos, afirmando que Israel não apresentou provas das alegações e recordando episódios anteriores do conflito no Líbano.
“Lançar acusações alegando que instalações de saúde e ambulâncias estão sendo usadas para fins militares sem apresentar qualquer prova não justifica tratar hospitais, instalações médicas ou transporte médico como campos de batalha, nem tratar médicos e paramédicos como alvos”
No Irã o Ministério da Saúde reportou ter identificado danos em 313 centros médicos, hospitais, ambulâncias e outros equipamentos do sistema de saúde, e informou que 23 profissionais da área foram assassinados em consequência dos ataques.
Os números do governo iraniano aproximam-se dos levantamentos da Crescente Vermelha Iraniana, que contabilizou 281 centros médicos, farmácias e filiais afetadas, e da Cruz Vermelha Iraniana, que detalhou ataques a bases e veículos de socorro.
“Dezessete bases da Cruz Vermelha no país foram alvejadas pelo inimigo agressor e 94 ambulâncias e veículos de resgate foram alvejados diretamente por mísseis inimigos”
Os Estados Unidos negam ter atingido instalações civis no Irã, embora o secretário de Estado tenha admitido a possibilidade de atingir alvos com impactos colaterais durante operações militares.
“efeitos colaterais”
Especialistas e analistas assinalam que a escala dos danos a unidades de saúde sugere, para alguns observadores, uma prática que vai além de efeitos incidentais de combate e se aproxima da estratégia deliberada de desorganizar a resposta médica.
“É um crime de guerra e pretendem, com isso, pressionar e aterrorizar a população civil, mostrando que eles vão atacar e não vai ter ninguém para ajudar eles. Isso é uma estratégia que Israel usa desde a década de 1990”
O analista apontou ainda objetivos políticos associados aos ataques e descreveu o impacto indireto sobre hospitais provocado por bombardeios em prédios vizinhos, que comprometem vidraças, quartos e áreas internas, reduzindo a capacidade de atendimento.
“Assim, quando eles atacam um prédio que fica ao lado do hospital, acabam quebrando os vidros dentro do hospital. Acabam quebrando um quarto. Então, assim, eles vão destruindo os grandes hospitais de forma indireta”
O relatório da escalada atual remete a episódios anteriores, especialmente na Faixa de Gaza após 7 de outubro de 2023, quando a Organização Mundial da Saúde contabilizou 931 ataques a unidades de saúde na região, além de 940 incidentes envolvendo equipamentos médicos na Cisjordânia.
A OMS registrou ainda 991 profissionais de saúde assassinados em Gaza desde aquele início de hostilidades, com cerca de 2 mil feridos, e ressaltou que muitos ataques foram justificados por Israel com a alegação de uso de instalações médicas por grupos armados, afirmação negada pelo Hamas.
As Forças de Defesa de Israel mantêm que seguem o direito humanitário e que adotam medidas para reduzir baixas civis, incluindo avisos prévios para evacuação de áreas alvo.
Os dados divulgados pelos ministérios e por organizações humanitárias retratam prejuízos extensos à infraestrutura de saúde e aumento significativo da demanda por atendimento médico em regiões afetadas, enquanto narrativas conflitantes sobre responsabilidades e justificativas permanecem sem consenso entre as partes.

