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Pescadores artesanais do Pantanal correm risco de extinção, alerta biólogo

Pescador artesanal no Pantanal, símbolo da luta pela conservação do bioma e da sua cultura.

A sobrevivência dos pescadores artesanais do Pantanal está em risco, conforme apontado em um painel da 15ª Conferência das Partes (COP15), destacando a ameaça aos ‘Guardiões do Rio Paraguai’.

Pescadores profissionais artesanais do Pantanal, reconhecidos como ‘Guardiões do Rio Paraguai’, enfrentam a possibilidade de desaparecer se medidas urgentes não forem adotadas para proteger seu modo de vida, conforme o alerta de André Siqueira, biólogo e diretor-presidente da Ecoa (Ecologia em Ação). Esses trabalhadores detêm um saber prático e eficaz sobre os ciclos do bioma e de seus peixes, essencial para a saúde ambiental da região, mas se encontram seriamente ameaçados.

Diversos fatores colocam os cerca de 1,2 mil pescadores da planície sob constante risco, desde a construção de barragens para Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) até a pesca esportiva, portos para hidrovia e o turismo não regulado. As PCHs, por exemplo, fragmentam os ciclos naturais dos rios, impactando diretamente a vida dos peixes e a continuidade da pesca como fonte de sustento, segundo Siqueira, que questiona a insistência em hidrelétricas diante da existência de outras matrizes energéticas.

A pesca profissional artesanal representa a segunda maior fonte de emprego e renda em todo o Pantanal, e os pescadores são estratégicos para o monitoramento da saúde dos rios. André Siqueira destacou que “são eles que sabem quem ou o que está provocando problemas em relação à saúde dos rios, eles incomodam muita gente”. Além das ameaças diretas, o bioma também enfrenta problemas decorrentes das queimadas, a intensificação da crise hídrica e alterações no regime de chuvas.

Para solucionar a crise enfrentada por essa comunidade, Siqueira propõe a criação de uma rede internacional de governança territorial que envolva ativamente as comunidades locais. Este modelo busca harmonizar a produção econômica com a conservação ambiental, protegendo áreas vitais para a biodiversidade e para as 190 espécies de aves migratórias que utilizam o Pantanal como ponto de descanso, alimentação e reprodução.

A gestão participativa permite que a administração do território seja construída por quem reside nele, segundo o diretor-presidente da Ecoa. “Nesse modelo, comunidades locais, organizações da sociedade civil, produtores rurais, povos tradicionais e instituições públicas discutem conjuntamente formas de uso, conservação e manejo dos recursos naturais, fortalecendo decisões construídas de baixo para cima”, explicou Siqueira. Ele acrescentou que isso concilia produção, conservação e proteção ambiental, mantendo áreas essenciais para a biodiversidade e para espécies que dependem da conectividade entre diferentes regiões.

A discussão sobre a importância das zonas úmidas para espécies migratórias e o papel da cooperação para a conservação reuniu André Siqueira, Maria Raquel de Carvalho, gerente de projetos da Save Brasil, e Patrícia Pereira Serafin, do Cemave (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres) do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), no painel intitulado “Do Manguezal ao Pantanal”. No Pantanal, os incêndios causam enormes dificuldades para a orientação, nidificação e pouso das aves, resultando na perda de alimentos e perdas significativas de aves nos últimos anos, algo perceptível durante os combates aos incêndios.

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