Evangélicos de países emergentes invertem fluxo histórico e exportam fé para o hemisfério norte

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Pastores do Brasil e de outras nações em desenvolvimento estão se mudando para os Estados Unidos e a Europa com o objetivo de reevangelizar a população local. O fenômeno contrasta com o padrão dos séculos 16 ao 20, quando o Ocidente atuava como o principal exportador de missionários para o resto do mundo.

A mudança de rota é impulsionada por uma queda acentuada no engajamento religioso nas nações ricas. Pesquisas recentes do Pew Research Center mostram que o número de cristãos nos Estados Unidos caiu de 78% em 2007 para 62% em 2024, enquanto os adultos sem religião saltaram para 29% da população.

Lierte Soares Junior lidera uma congregação formada majoritariamente por americanos caucasianos de ascendência irlandesa em Georgetown, no estado de Massachusetts. O pastor brasileiro comanda uma igreja histórica fundada em 1785 e assumiu recentemente a presidência da Convenção Batista da Nova Inglaterra.

“Vim aqui para reevangelizar os americanos. Essa é a minha missão prioritária”

O cenário atual nos países desenvolvidos é descrito por líderes religiosos como um período de secularização e pós-cristianismo. O desapego espiritual no continente europeu atingiu um nível em que igrejas centenárias de arquitetura gótica acabaram transformadas em espaços comerciais, abrigando desde boates até academias e livrarias.

Heath Carter, professor do Seminário Teológico de Princeton, avalia a situação não como uma derrocada, mas como um intercâmbio de cristianismos que favorece o pluralismo. A perda de poder das instituições tradicionais reflete uma mudança de comportamento da população mais jovem.

“Nos últimos anos, o número de ‘sem religião’ disparou, mas muitas dessas pessoas têm todos os tipos de práticas espirituais. Elas apenas não se identificam com uma igreja, embora às vezes as frequentem”

A realidade europeia atrai líderes como o reverendo nigeriano Israel Olofinjana, que vive em Londres desde 2004 e já comandou três congregações diferentes no país. Ele defende a formação de igrejas interculturais, onde a diversidade étnica é tratada como um presente e todos os grupos têm voz ativa no funcionamento da comunidade.

Embora a meta da missão reversa seja reacender a fé das populações nativas, o trabalho diário frequentemente envolve o acolhimento da própria comunidade estrangeira. Ney Ladeia chegou aos Estados Unidos em 2017 por meio da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira para atuar junto aos brasileiros que residem na região.

Os templos funcionam como uma rede de apoio que vai muito além do conforto espiritual, oferecendo assistência médica, oportunidades de conexão profissional e preservação da língua materna.

“O imigrante tem necessidades que nem sequer consideramos existir enquanto não vivemos a experiência de sair de um país para outro. As igrejas fornecem suporte físico, emocional e até financeiro”

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andorinha

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