Sobrinho confessa ter matado tia a golpes de panela e serra elétrica em MS
Jovem foi preso em flagrante tentando se limpar em córrego e, após negar envolvimento, admitiu autoria da morte de Fátima Aparecida da Silva em Selvíria
Maurício da Silva, de 21 anos, confessou o assassinato de sua tia, Fátima Aparecida da Silva, de 58 anos, ocorrido na manhã da última segunda-feira, em Selvíria, cidade localizada a 400 quilômetros de Campo Grande. A confissão do crime, que configura o oitavo feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2026, aconteceu na delegacia, depois que o suspeito foi detido pela Polícia Militar.
O jovem foi encontrado pelos policiais a poucos metros do local da violência, dentro do Córrego Arroz Doce, onde tentava remover vestígios de sangue do próprio corpo. Testemunhas acionaram a Polícia Militar após avistarem Maurício, conhecido como “Maurição”, sujo de sangue em um posto de combustível, de onde ele fugiu em direção ao córrego às margens da MS-444. No momento da abordagem, ele chegou a declarar: “Eu não matei ela, não fui eu”.
Na delegacia, confrontado com as evidências reunidas pela investigação, Maurício da Silva detalhou o ocorrido. Ele relatou, segundo informações da Polícia Civil, que estava sob efeito de drogas e havia ido à casa da tia durante a madrugada, onde ambos estavam bebendo. Uma discussão por motivos fúteis, que escalou, levou a vítima a supostamente pegar uma faca para atacá-lo.
Em resposta, o sobrinho desferiu vários golpes na cabeça de Fátima, utilizando uma panela e uma ferramenta elétrica de corte. Após o ataque, Maurício saiu da residência e avisou o filho da vítima. Em seguida, ele buscou se limpar no posto de combustível, mas foi impedido e posteriormente tentou a limpeza no córrego, onde foi capturado pelos militares. Um vizinho da vítima relatou ter ouvido barulhos incomuns, como batidas e o som de móveis e objetos caindo, por volta das 4h30 daquela madrugada na Rua Antônio Luís de Brito, na região da Cohab.
A Polícia Civil e a equipe de perícia estão apurando as circunstâncias exatas do assassinato na residência da vítima, onde foi encontrada uma grande quantidade de sangue e diversas ferramentas de corte com vestígios, possivelmente usadas na ação.
O caso é investigado como feminicídio conforme a Lei nº 13.104/2015, que enquadra crimes de violência contra a mulher no contexto doméstico ou familiar, considerando o vínculo de parentesco entre agressor e vítima. Fátima Aparecida da Silva, que tinha 58 anos, era natural de Ilha Solteira, em São Paulo, cidade que faz divisa com Mato Grosso do Sul. No quarto da vítima, os policiais também encontraram uma espingarda, sem munição e sem marca aparente.

