Otan é cautelosa ao afirmar ataque iraniano a base conjunta no Índico
O secretário-geral da Otan declarou que não há confirmação de que a base militar conjunta de Diego Garcia, utilizada por Reino Unido e Estados Unidos no Oceano Índico, tenha sido atingida por mísseis balísticos iranianos, e que apurações continuam após os relatos sobre o episódio.
Em entrevista exclusiva à emissora CBS News, o responsável pela aliança explicou que a checagem dos fatos ainda está em andamento e destacou as incertezas existentes naquele momento. “Não podemos confirmar isso neste momento, então estamos investigando”
Rutte também comentou a capacidade balística atribuída ao Irã e avaliou que, se as alegações sobre a base forem verdadeiras, isso significaria uma mudança significativa no alcance dos mísseis iranianos. “Se esse foi o caso da base no Reino Unido, em Diego Garcia, ainda estamos avaliando. Mas, se for verdade, significa que eles já possuem essa capacidade. Se não for verdade, sabemos que estão muito perto de tê-la”
A reivindicação sobre o ataque encontra negações e críticas por parte de Teerã, que afirma não ter lançado projéteis contra a ilha, localizada a mais de 3 mil quilômetros do território iraniano, enquanto o Irã repete que seus mísseis têm alcance máximo de 2 mil quilômetros. Fontes do governo persa classificaram as denúncias como uma estratégia para atribuir culpa a Teerã, e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores afirmou que a acusação é uma “falsa bandeira”
De acordo com informações divulgadas a agências internacionais por fontes militares dos Estados Unidos não identificadas, projéteis teriam sido lançados contra a base conjunta, sem, porém, atingir as instalações, segundo esses relatos.
As notícias sobre um possível lançamento foram utilizadas por autoridades de Israel para questionar a capacidade balística iraniana e pressionar por uma ampliação do envolvimento europeu no conflito. O ministro das Relações Exteriores de Israel publicou nas redes sociais uma avaliação sobre o alcance dos mísseis que relaciona cidades europeias ao raio de ação em discussão. “Isso significa que os únicos três países europeus fora do alcance dos mísseis balísticos iranianos são a Islândia, a Irlanda e Portugal. A 4.000 km do Irã, encontram-se Berlim, Paris e Londres”
Autoridades britânicas já confirmaram apoio logístico a operações americanas na região e disseram que instalações do Reino Unido estão sendo utilizadas em ações que visam degradar capacidades de mísseis associados a ataques a navios no Estreito de Ormuz, uma posição pública que gerou críticas de Teerã.
O ministro das Relações Exteriores do Irã reagiu ao envolvimento britânico com argumentos sobre a opinião pública do país europeu e sobre riscos à população, e colocou em foco a responsabilidade do primeiro-ministro. “Ignorando seu próprio povo, o Sr. Starmer está colocando vidas britânicas em perigo ao permitir que bases do Reino Unido sejam usadas para agressões contra o Irã. O Irã exercerá seu direito à autodefesa”
Representantes do governo iraniano também comentaram o silêncio ou a cautela de figuras internacionais diante das alegações sobre Diego Garcia, atribuindo ao episódio um caráter de desinformação e desgaste diplomático. “O fato de até mesmo o secretário-geral da Otan [que notoriamente pressiona os membros da aliança a apaziguar os EUA e apoiar sua guerra ilegal contra Irã] se recusar a endossar a mais recente desinformação de Israel diz muito: o mundo está completamente exausto dessas histórias batidas e desacreditadas”
Além dos eventuais efeitos imediatos do episódio, autoridades e serviços de inteligência têm discutido o horizonte técnico do programa de mísseis iraniano. Em audiência no Senado dos Estados Unidos, a diretora da Inteligência Nacional afirmou estimativas sobre o tempo necessário para o Irã desenvolver um míssil intercontinental militarmente viável caso o país decida prosseguir nessa direção. “A comunidade de inteligência avalia que o Irã já demonstrou capacidade de lançamento espacial e outras tecnologias que poderia utilizar para começar a desenvolver um míssil balístico intercontinental (ICBM) militarmente viável antes de 2035, caso Teerã tente prosseguir com essa capacidade”
Na mesma ocasião foi ressaltado que essas avaliações vêm sendo atualizadas diante de ataques que afetaram instalações de produção e estoques, e que também têm impacto nas capacidades de lançamento do Irã, o que altera prazos e cenários futuros. “ataques devastadores às instalações de produção de mísseis, aos estoques e às capacidades de lançamento do Irã”
As autoridades envolvidas dizem que as investigações prosseguem e que qualquer confirmação de autoria teria implicações diretas para Londres e para a Otan, podendo ampliar o escopo do conflito e a participação de aliados.

