Refúgio em Mato Grosso recria habitat natural para elefantes resgatados de cativeiros

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O Santuário de Elefantes Brasil localizado na Chapada dos Guimarães transformou a rotina de cinco fêmeas da espécie asiática que passaram décadas confinadas em circos e zoológicos. As moradoras vivem atualmente em um espaço de 279,7 mil metros quadrados em Mato Grosso com acesso livre à vegetação do cerrado, o que representa cerca de 55,9 mil metros quadrados por paquiderme.

A alimentação diária reflete a liberdade do ambiente, já que as próprias elefantas selecionam as plantas nativas que representam a maior parte de sua dieta. A equipe da instituição privada complementa as refeições com porções de frutas e legumes que variam entre 210 e 360 quilos por animal, aproveitando esses momentos para monitorar a saúde do grupo.

Os cuidados veterinários respeitam os limites de cada moradora através de treinamentos específicos para facilitar os tratamentos sem estresse. Bambi chegou ao local em 2020 com quase perda total de visão e aprendeu a encostar o rosto na cerca para receber colírio, enquanto a argentina Guillermina de 26 anos coloca a pata no limite do recinto para higienização diária.

A moradora mais velha do grupo exige atenção especial devido a uma lesão na pata dianteira esquerda provavelmente adquirida durante os 40 anos em que viveu em picadeiros. Rana tem 65 anos e caminha com o membro esticado, o que levou a equipe a desenvolver um tratamento semelhante a um escalda-pés em um tanque de água morna para alívio das dores articulares.

O ambiente de trabalho mistura português, inglês e espanhol devido à presença de profissionais de diferentes partes do mundo voltados ao bem-estar animal. A cuidadora argentina Florencia Altamirano trabalhou no Ecoparque de Buenos Aires antes de integrar a equipe e relembra com emoção a passagem da elefanta Pupy pelo local.

“Tudo é muito mais parecido com a vida natural, de onde elas nunca deveriam ter saído.”

O fundador do santuário destaca a inteligência da espécie e a importância da socialização livre de imposições humanas no processo de cura de traumas passados. O americano Scott Blais cita o exemplo de Maia, que deixou de apresentar comportamento conflituoso com outras fêmeas após chegar ao refúgio em 2020.

“É uma chance de elas explorarem a vida em termos diferentes. A vida é delas, sem ditarmos o que é.”

A propriedade passa por um processo de regeneração ambiental coordenado pelo setor de pesquisas da instituição, já que o terreno abrigava um pasto de gado em anos anteriores. O espaço também funciona como centro de reabilitação de fauna para animais resgatados por autoridades ambientais e serve de lar para diversas espécies domésticas que circulam livremente pelas trilhas.

A administração prepara a estrutura física para a possível chegada do primeiro macho, o elefante Sandro, que atualmente vive no zoológico de Sorocaba no interior paulista. O diretor e advogado Raphael Bontempi acompanha os processos judiciais que também envolvem as fêmeas Maison e Baby, ambas abrigadas em outras instituições brasileiras no momento.

“As ações da Maison e da Baby estão em fase inicial ainda, coleta de provas, audiências e convencimento do juiz para um primeiro julgamento.”

O processo de transferência de Sandro é o mais avançado e aguarda julgamento de recurso com expectativa de resolução judicial até o primeiro semestre de 2026. A instituição projeta a construção de novos recintos em uma área adicional de 1,2 milhão de metros quadrados para abrigar futuramente todos os elefantes que ainda vivem em cativeiro na América do Sul.

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