Ministro francês diz que guerra no Oriente Médio não terá fim próximo
Jean-Noel Barrot, ministro das Relações Exteriores da França, avaliou em Tel Aviv que não existe, no horizonte imediato, uma solução evidente para a escalada regional, e fez declarações públicas na sequência de um encontro com seu colega israelense Gideon Saar.
Ao chegar para a coletiva, as forças israelenses registraram um alerta por mísseis lançados em direção a Israel, sirenes foram acionadas e o ministro, sua equipe e a imprensa foram conduzidos a um abrigo antiaéreo.
Na coletiva, Barrot avaliou o quadro e alertou sobre expectativas de resolução no curto prazo. “Não há uma saída óbvia a curto prazo para a escalada regional em curso, que de certa forma vem se desenrolando desde 7 de outubro de 2023. Mas isso não deve, de forma alguma, servir de pretexto para a inação” Em seguida, Barrot falou aos repórteres após se reunir com o colega israelense Gideon Saar em Tel Aviv.
O ministro esteve em Israel depois de ter ido ao Líbano na quinta-feira com a missão de tentar diminuir a escalada e de promover um cessar-fogo naquele país, conforme informações oficiais sobre a sua agenda.
A França mantém laços históricos com o Líbano e, juntamente com os Estados Unidos, tem atuado como mediadora desde que o conflito entre o Hezbollah e Israel se ampliou, com o grupo libanês, apoiado pelo Irã, lançando mísseis contra Israel.
Barrot expôs reservas de Paris em relação a uma eventual operação terrestre israelense no sul do Líbano, e ressaltou que o Exército libanês precisa fazer todo o possível para desarmar o Hezbollah, conforme demanda do próprio governo libanês.
Israel rejeitou uma oferta de conversações diretas encaminhada por Beirute, por considerar a proposta insuficiente e tardia, segundo fontes familiarizadas com a situação, que apontam ainda que o governo libanês compartilha o objetivo de desarmar o Hezbollah mas teme que uma ação contra o grupo provoque uma guerra civil.
O presidente Joseph Aoun, que se reuniu com Barrot na quinta-feira, manifestou disposição para iniciar negociações diretas com Israel, enquanto o Hezbollah rejeitou a iniciativa e manteve as ações militares, e Israel passou a realizar ataques aéreos no Líbano desde que o grupo disparou contra o país em 2 de março.
Na semana passada, a diplomacia francesa apresentou contrapropostas às ideias formuladas pelos Estados Unidos para encerrar o conflito, segundo dois diplomatas. Três diplomatas relataram que Washington recebeu as propostas de forma morna, mas que as conversas entre Paris e Washington seguem em curso, e que Israel rejeitou as propostas apresentadas.
Barrot deixou claro que, apesar da ausência de uma saída óbvia no curto prazo, a França e seus aliados continuarão a trabalhar para tentar encontrar uma solução duradoura para a guerra e para reduzir a escalada regional, conforme as declarações prestadas durante a visita.

