Irã ameaça indústria de energia do Catar, Arábia Saudita e Emirados
O Irã emitiu, nesta terça-feira, um alerta ordenando a retirada de moradores em torno de cinco instalações de processamento de petróleo e gás localizadas no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, medida que, segundo as autoridades persas, responde a recentes ataques contra infraestruturas energéticas iranianas.
As instalações listadas incluem a refinaria Samref e o complexo petroquímico Al-Jubail, na Arábia Saudita, o campo de gás Al-Hosn, nos Emirados Árabes Unidos, e o complexo petroquímico Al-Mesaieed e a refinaria de Ras Laffan, ambos no Catar.
Em comunicado divulgado pela Guarda Revolucionária Islâmica, foi feita a advertência sobre a possibilidade de novos ataques nas próximas horas, com orientação de afastamento imediato das áreas afetadas.
“Esses locais agora são alvos legítimos e podem ser atingidos nas próximas horas, instando os moradores locais a se deslocarem imediatamente para locais seguros”
Conforme divulgado pela Press TV, empresa de mídia estatal do Irã, o alerta incluiu também a recomendação para que a população se mantenha distante de “qualquer infraestrutura petrolífera associada aos Estados Unidos”.
A mídia estatal Fars News citou uma fonte militar afirmando que a ofensiva persa terá impacto direto nos preços e na estabilidade regional.
“os mercados de energia certamente sofrerão um novo choque, e essas chamas roubarão a estabilidade dos regimes que apoiam o inimigo na região”
O comunicado iraniano relaciona as medidas a retaliações por bombardeios atribuídos a Israel e aos Estados Unidos contra instalações da indústria petrolífera iraniana em South Pars, o maior campo de gás natural do mundo na fronteira com o Catar, e contra unidades de refino em Asaluyed, na região costeira.
O tom do texto oficial também criticou governos árabes do Golfo por terem ignorado advertências, acusando-os de manter uma postura de “subserviência cega”.
“Já alertamos repetidamente seus líderes contra seguirem esse caminho perigoso e arrastarem seus povos para uma grande aposta com seu destino”
O anúncio do Irã já repercute nos mercados internacionais de energia. Na quarta-feira, o barril do petróleo Brent operava em alta de cerca de 5%, cotado a US$ 108, e analistas relacionam parte da valorização ao bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde circula aproximadamente 25% do petróleo mundial.
Em reação diplomática à escalada, o chanceler do Catar, Majed Al Ansari, classificou como irresponsável o ataque israelense contra instalações energéticas iranianas e ressaltou riscos para a segurança coletiva da região.
“Atacar infraestruturas energéticas constitui uma ameaça à segurança energética global, bem como aos povos da região e ao seu meio ambiente. Reiteramos, como já enfatizamos diversas vezes, a necessidade de evitar ataques contra instalações vitais”
Conforme informações oficiais do governo saudita, a Arábia Saudita convocou para a noite desta quarta-feira em Riad uma reunião com países árabes e islâmicos com o objetivo de aprimorar consulta e coordenação sobre formas de apoiar a segurança e a estabilidade regional.
A mesma nota informou que dois mísseis balísticos e um drone foram interceptados nesta quarta-feira na região Leste da Arábia Saudita, episódio que se soma ao clima de tensão entre as potências regionais e seus aliados.
O cenário permanece volátil, com consequências diretas para cadeias de suprimento e preços de combustíveis, enquanto autoridades de diversos países acompanham as notificações e movimentos militares na região do Golfo Pérsico.

