Petro afirma que Equador lançou bombas na Colômbia e recebe resposta de negação de Noboa

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O presidente da Colômbia atribuiu a descoberta de explosivos em área de fronteira a lançamentos aéreos vindos do Equador, e o episódio elevou o nível de tensão entre os dois governos nesta semana.

Gustavo Petro relatou a presença dos artefatos e pediu apuração rigorosa.

“Apareceram bombas, atiradas de avião, se vai investigar bem, muito na fronteira com Equador, ratificando um pouco minha suspeita. Tem que investigar bem. Estão nos bombardeando a partir do Equador, e não são grupos armados. Já houve muitas explosões”

Em complemento às observações sobre os artefatos, o presidente colombiano afirmou existir registro audiovisual relacionado ao caso e que manteve contato com o governo dos Estados Unidos para tratar do episódio.

“existe uma gravação”

“se originou no Equador”

“Há algo estranho. Eu pedi a Trump que atue e chame o presidente do Equador, porque não queremos entrar em guerra”

O anúncio de Petro foi seguido por uma resposta pública do presidente equatoriano, que negou qualquer operação no território colombiano e atribuiu parte do problema à presença de grupos ligados ao narcotráfico.

Daniel Noboa usou uma rede social para refutar a acusação e reafirmar a atuação confinado ao espaço equatoriano.

“Presidente Petro, suas declarações são falsas; estamos agindo em nosso território, não no seu. Não vamos recuar”

Noboa acrescentou sobre operações conjuntas com parceiros internacionais voltadas a alvos que, segundo ele, serviram de abrigo a organizações criminosas.

“Hoje, em cooperação internacional, continuamos esta luta, bombardeando os locais que serviram de esconderijo para esses grupos, em sua maioria colombianos que o seu próprio governo permitiu infiltrar em nosso país devido à negligência em suas fronteiras”

Medidas comerciais e recuo de serviços alteram relações

O episódio se soma a um quadro de crescente deterioração das relações bilaterais que já vinha se manifestando por medidas econômicas adotadas por ambos os países nas últimas semanas.

No início de fevereiro o Equador elevou tarifas de importação de produtos colombianos em 30%, medida qualificada por Quito como uma “taxa de segurança” diante de reclamações sobre a falta de eficácia colombiana no combate ao crime na fronteira.

Em resposta, a Colômbia suspendeu o fornecimento de energia elétrica ao Equador e aplicou uma tarifa de 30% sobre 70 categorias de produtos vindos do país vizinho, ampliando o atrito comercial entre as administrações.

Alinhamento com os EUA e repercussões internas no Equador

Paralelamente, o Equador tem aprofundado acordos de cooperação com os Estados Unidos com foco no combate ao narcotráfico, alinhamento que incluiu a abertura de uma sede oficial do FBI em Quito e a celebração de operações conjuntas realizadas no território equatoriano.

O governo equatoriano consultou a população sobre a instalação de uma base militar estrangeira, proposta que foi rejeitada por 60% dos participantes na consulta, e vinha adotando decretos de estados de emergência e toques de recolher para enfrentar a violência.

No plano político interno, a Justiça Eleitoral do Equador suspendeu por nove meses o registro do partido Revolução Cidadã, principal legenda de oposição liderada pelo ex-presidente Rafael Correa, em meio a investigações sobre lavagem de dinheiro.

A candidata derrotada por Noboa em 2025, Luisa González, figura na investigação por suposta recepção de recursos do exterior e nega as acusações, apontando perseguição política.

O contexto regional também envolve uma reaproximação militar de Washington com países da América Latina, justificada por autoridades americanas como necessária para combater cartéis e contrabalançar influências externas.

Ao divulgar a estratégia, integrantes do governo dos EUA retomaram referências históricas e contemporâneas sobre a presença americana na região, e o secretário de Defesa chegou a afirmar que poderia “agir sozinho” nos países latino-americanos “se necessário”, comentário que gerou preocupação sobre eventuais impactos na soberania nacional.

As declarações e contra-declarações dos dois presidentes permanecem sob investigação e ampliam um impasse diplomático que já inclui medidas econômicas e operações de segurança coordenadas internacionalmente.

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