CPI do Crime exige esclarecimentos enquanto fundador da Reag nega vínculo com PCC
O fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, compareceu à CPI do Crime Organizado do Senado na quarta-feira para prestar esclarecimentos sobre a atuação da gestora em operações da Polícia Federal e sobre as investigações que vinculam a empresa ao crime financeiro.
Compareceu à sessão o fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, que negou vínculos entre a gestora e o PCC.
“Não temos nenhuma ligação [com o PCC], como o nosso advogado acabou de colocar. No procedimento da Carbono Oculto [da Polícia Federal (PF)], em 15 mil páginas, não existe nenhuma menção à associação com o PCC ou com o crime organizado”
Mansur disse ainda que, inicialmente, optou por permanecer em silêncio, direito previsto para investigados, mas acabou fazendo breves declarações após apelos do presidente da comissão.
“Aí é uma opinião pessoal, eu acho que vou permanecer calado”
O depoimento foi convocado pelo presidente da CPI, senador Fabiano Contarato, que justificou a oitiva com base em dados da operação Carbono Oculto e na concentração de alvos na Avenida Faria Lima, endereço de vários escritórios financeiros.
“Dos 350 alvos da operação [Carbono Oculto], 42 têm escritórios na Avenida Faria Lima, o que demonstra que o crime organizado possui verdadeira indústria de lavagem de dinheiro no coração do sistema financeiro nacional”
Conforme os requerimentos aprovados na sessão, a CPI autorizou mais de 20 pedidos envolvendo quebras de sigilo, solicitações de informação e convocações direcionadas ao que o colegiado chama de braço financeiro do PCC na Faria Lima e ao grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Em janeiro, o Banco Central liquidou a Reag Investimentos por supostas relações com fraudes atribuídas ao Banco Master, estimadas em até R$ 50 bilhões, e investigações apontam que a gestora administrava cerca de 700 fundos, com R$ 300 bilhões sob gestão.
Mansur afirmou que a Reag era auditada por empresas internacionais e mantinha estruturas de governança compatíveis com companhias de capital aberto, além de reconhecer que o Banco Master figurava como um dos clientes da gestora.
“Acho que a gente acabou sendo penalizado por ser grande e independente. Nosso mercado penaliza o independente”
O presidente da CPI afirmou ainda que fundos da Reag teriam sido usados para movimentar aproximadamente R$ 250 milhões do PCC e que bancos centrais apontaram ocultação de beneficiários de até R$ 11 bilhões desviados do mercado financeiro.
“O depoimento de Mansur é indispensável para esclarecer os mecanismos de controle e conformidade adotados pela gestora diante do crescimento exponencial de seus ativos sob gestão, que saltaram de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões em cinco anos”
O relator da comissão, senador Alessandro Vieira, registrou preocupação com a decisão do investigado de não responder a vários questionamentos considerados não autoincriminatórios, avaliando que isso limitou o esclarecimento de pontos centrais para a apuração.
“São vários questionamentos que não são, a priori, autoincriminatórios, a não ser que a gente compreenda que absolutamente toda a atividade exercida por vossa excelência, ao longo da carreira, seja criminosa”
A CPI mantém apurações paralelas que envolvem a Reag, incluindo a Compliance Zero, que investiga fraudes do Banco Master, e a operação Quasar, que investiga lavagem de dinheiro para facções criminosas, conforme levantamentos citados no plenário.
Ao longo da sessão, senadores e membros do colegiado votaram requerimentos para aprofundar as investigações, enquanto Mansur reiterou a versão de que a empresa não funcionava como fachada e que não havia investidores ocultos na composição societária.
“Não éramos, nunca fomos empresa de fachada, não temos investidores ocultos. É um partnership, ou seja, vários sócios, várias pessoas”

