Ações de Israel no Líbano registram deslocamento de 667 mil pessoas em sete dias
A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, estima que 667 mil pessoas deixaram suas residências no Líbano em apenas sete dias devido a ataques e ordens de evacuação emitidas por Israel, número calculado a partir dos registros em plataforma online do governo libanês.
Karolina Lindholm, representante da Acnur no Líbano, ressaltou a intensidade do movimento populacional.
“um aumento de mais de 100 mil em apenas um dia – e os números continuam a subir”
O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos apontou que ordens de evacuação alcançaram mais de cem localidades e advertiu sobre possíveis violações do direito internacional em razão do alcance das medidas.
“Centenas de milhares de pessoas já foram afetadas por essas ordens de deslocamento israelenses. Seu alcance torna muito difícil o cumprimento por parte da população e, portanto, coloca em questão sua eficácia, uma exigência do direito internacional humanitário, além de correr o risco de configurar deslocamento forçado proibido”
A organização Human Rights Watch acusou Israel de empregar fósforo branco em áreas residenciais do sul do Líbano, na cidade de Yohmor, substância usada militarmente para cortinas de fumaça ou iluminação de alvos e cuja utilização em zonas civis é proibida pelo direito internacional por causar ferimentos graves e incêndios difíceis de controlar.
Autoridades israelenses disseram à agência Reuters desconhecerem as alegações da Human Rights Watch e não confirmaram o uso do fósforo branco em áreas civis.
Em nota oficial, as Forças de Defesa de Israel justificaram as ordens de evacuação como parte de esforços para reduzir danos a civis e para atingir infraestrutura do Hezbollah.
“Ao longo dessas operações, as Forças de Defesa de Israel (FDI) mantiveram o compromisso com a precisão e a mitigação de danos a civis, emitindo alertas de evacuação para áreas próximas à infraestrutura do Hezbollah”
O governo israelense também recomendou a evacuação da maior parte da periferia sul de Beirute e do Vale do Bekaa, no leste do país. Estima-se que 100 mil pessoas busquem abrigo em 469 centros distribuídos pelo Líbano.
A Acnur calcula ainda que cerca de 78 mil sírios que estavam no Líbano retornaram à Síria fugindo da escalada dos combates, enquanto a Organização Mundial da Saúde informou o fechamento de 43 centros de atenção primária e de dois hospitais em áreas atingidas por ordens de evacuação.
O Hezbollah declarou que suas ações contra Israel são retaliação legítima e parte de uma política de autodefesa. O grupo informou que uma onda de ataques atingiu a cidade de Khian.
“em resposta à criminosa agressão israelense que teve como alvo dezenas de cidades e vilas libanesas e os subúrbios do sul de Beirute”
Fontes ligadas ao conflito indicam que a escalada no Líbano se intensificou após o Hezbollah voltar a atacar posições de Israel em reação ao assassinato do líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, e também como retaliação por violações do cessar de fogo estabelecido em novembro de 2024.
Analistas e autoridades observam que a atual fase do confronto entre o grupo libanês e Israel tem raízes na guerra na Faixa de Gaza, quando o Hezbollah passou a lançar ataques contra o norte israelense em solidariedade aos palestinos, e que Israel vinha justificando suas incursões no Líbano com o objetivo de atingir componentes militares do Hezbollah e impedir sua recuperação.
Organismos humanitários e autoridades locais seguem monitorando deslocamentos, fechamento de serviços de saúde e a crescente ocupação de abrigos, enquanto os registros oficiais indicam que os números de pessoas deslocadas continuam a subir.

