Bruna Louise aponta machismo no humor e rebate críticas sobre trajetória

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A humorista Bruna Louise utilizou suas redes sociais na última segunda-feira para contestar avaliações sobre o cenário atual para mulheres na comédia. O desabafo surgiu após um comentário de uma colega sugerindo que a paranaense teve sorte por atuar em um momento considerado mais favorável ao gênero feminino. A artista de 41 anos refuta essa visão de facilidade no mercado de trabalho. “Nunca é uma boa hora para ser mulher”.

O espaço ocupado hoje por mulheres no stand-up comedy é fruto de um esforço árduo e não de concessões do mercado. Louise compara a trajetória feminina no humor ao trabalho braçal de abrir caminhos em mata fechada. “A gente conseguiu, sim, um pequeno espaço. Mas foi com facão desmatando, capinando o lote. Não é o suficiente, não é o justo, mas estamos avançando”.

Ataques de cunho sexista marcaram diversos momentos dos seus 15 anos de carreira profissional. Um episódio específico envolveu um humorista homem que questionou seu talento e atribuiu seu sucesso a favores sexuais afirmando que ela apenas soube onde sentar. A resposta da comediante utiliza os números de sua audiência para ridicularizar o argumento preconceituoso. “Tenho mais de seis milhões de seguidores. Esse homem achou mesmo que eu sentei seis milhões de vezes para chegar até aqui?”.

O ambiente da comédia era predominantemente masculino quando a artista iniciou sua trajetória nos palcos. A presença de mulheres era rara tanto na produção de conteúdo quanto na plateia refletindo estigmas sociais antigos. “Desde criança a gente só via humorista homem. Ia em shows de homens. Existe essa máxima de que mulher não é engraçada, de que a mulher foi feita para rir, não para fazer rir”.

A internet desempenhou um papel fundamental na transformação desse cenário e na popularização do gênero stand-up no país. A televisão historicamente marginalizou esse formato de humor limitando o alcance que hoje lota teatros. Estar no palco com um microfone representa uma posição de destaque e poder que historicamente foi negada ao público feminino.

A identificação com o público feminino ocorre através de piadas construídas sobre experiências reais e críticas ao machismo cotidiano. O foco do texto cômico de Louise é direcionado ao opressor e não às minorias diferenciando seu ponto de vista. “Um homem nunca vai entender completamente o que é estar na pele de uma mulher. Então é difícil fazer piada sobre algo que ele não vive”.

Novas gerações de humoristas ainda se surpreendem ao descobrir que os obstáculos permanecem mesmo para profissionais consolidadas. A veterana confirma que as dificuldades apenas mudam de formato mas incentiva a persistência na profissão. “Ser mulher já é difícil em qualquer área. Então, se você quer fazer comédia, não desista por causa disso”.

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