Mulheres ingressam no serviço militar inicial feminino voluntário
Uma etapa histórica para a defesa nacional começa a ser escrita com a entrada simultânea e voluntária de candidatas nas três Forças Armadas, marcando um novo capítulo
De 2 a 6 de março de 2026, a Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira acolhem, de forma conjunta e voluntária, mulheres para o Serviço Militar Inicial Feminino (Smif). Este evento representa um marco inédito na história das Forças Armadas, ocorrendo no mês dedicado à celebração do Dia Internacional das Mulheres.
Em um processo que incorpora 1.467 mulheres, elas serão distribuídas em 51 municípios, abrangendo 13 estados e o Distrito Federal, com 157 ingressando na Marinha, 1.010 no Exército e 300 na Força Aérea. Segundo o Ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, o início da formação feminina no Serviço Militar Inicial constitui “uma conquista importante para a sociedade e para as Forças Armadas”, abrindo às mulheres a possibilidade de trilhar as mesmas carreiras que os homens de maneira gradual e permanente.

A formação básica, uma etapa padronizada do serviço militar inicial, estende-se por três ou quatro meses, conforme a Força e a carga horária de instrução. Neste período, as voluntárias passam por um processo de adaptação à rotina militar, que envolve horários rigorosos, treinamento físico, instrução no manuseio de armamentos, serviço de guarda no quartel, ordem unida e atividades de campo de treinamento. Além disso, recebem orientação sobre valores e caráter, desenvolvendo disciplina, respeito à hierarquia, ética e patriotismo.
Após a conclusão da formação básica, as incorporadas desempenham atividades administrativas e operacionais, conforme seu perfil, aptidão individual e as necessidades de cada Força. As militares ocuparão a graduação de marinheiro-recruta na Marinha ou de soldado no Exército e na Força Aérea. Durante o serviço, elas recebem soldo conforme a graduação, além de férias, assistência médico-hospitalar e auxílios como transporte, natalidade, maternidade e pré-escolar, e têm o tempo de serviço contado para aposentadoria.
Para as recém-incorporadas, o momento simboliza a realização de um sonho e uma conquista pessoal e profissional. Eduarda Suzano, de 18 anos, destacou seu entusiasmo: “Era um sonho servir. Agora, estar aqui, incorporada, é uma conquista muito grande. Sei que será desafiador, mas também é uma oportunidade de crescimento, de aprendizado e de servir ao País”. Inspirada pela própria família, a candidata Danielly Oliveira Martins afirmou sua decisão. “Eu tenho um cunhado que serviu por oito anos, e percebi claramente a diferença quando ele saiu: estava mais focado e mais disciplinado. Então eu decidi me alistar. Acredito que será um grande aprendizado”.

O Serviço Militar Inicial Feminino (Smif), instituído pelo Ministério da Defesa em 2024, permite de forma voluntária que mulheres, ao completarem 18 anos, realizem o alistamento no serviço militar inicial, com os mesmos direitos e deveres atribuídos aos homens. Embora o alistamento seja voluntário para as mulheres, após a incorporação, o serviço militar torna-se obrigatório por um período de um ano. O serviço tem duração inicial de 12 meses, podendo ser prorrogado por até oito anos, caso haja vagas, interesse em permanecer nas fileiras militares e aprovação por parte da Força. Ao término do vínculo, as voluntárias deixam o serviço ativo e passam à reserva não remunerada, sem direito à estabilidade.
Uma segunda incorporação de mulheres está prevista para ocorrer de 2 a 6 de agosto deste ano. O alistamento militar para quem completa 18 anos em 2026 segue aberto até 30 de junho, sendo obrigatório para homens e, pelo segundo ano consecutivo, aberto às mulheres de forma voluntária, visando a incorporação nas Forças Armadas em 2027. O alistamento pode ser feito pela internet, no endereço alistamento.eb.mil.br, ou presencialmente em uma das Juntas de Serviço Militar (JSM) distribuídas pelo país, cujos endereços estão disponíveis no site.
