Governo da Bolívia determina segurança militar na YPFB e reforça gasolina com aditivos
Medidas visam combater corrupção, evitar sabotagem, garantir soberania energética e melhorar a qualidade do combustível distribuído no país
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, determinou nesta segunda-feira a presença das Forças Armadas nas instalações estratégicas da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB). A medida tem como objetivo principal proteger a companhia estatal de “máfias e corrupção”, conforme declaração do mandatário.
Paz ressaltou que a ação representa uma defesa da nação e dos trabalhadores da YPFB, buscando “blindar” a soberania energética e assegurar a rastreabilidade completa no processo de produção e distribuição de gasolina, a fim de impedir sabotagens técnicas ou administrativas.
Em paralelo, o governo boliviano implementará aditivos estabilizantes antioxidantes para evitar a degradação do combustível. Paz enfatizou que estas melhorias são inéditas no país e que não haverá aumento nos preços para os consumidores. “Protege motores, melhora a qualidade e não implica aumento de preços ao combustível”, afirmou o presidente em mensagem à população.

Esta decisão ocorre após o gabinete de Rodrigo Paz ter admitido, no início de fevereiro, a distribuição de gasolina de baixa qualidade devido a uma falha na mistura do combustível. O presidente Paz denunciou, nesta segunda-feira, que o incidente com a gasolina não foi um erro técnico ou imperícia, mas sim “um ato deliberado de sabotagem”, apontando para possíveis responsáveis internos.
Após o reconhecimento oficial da má qualidade da gasolina, diversas organizações sindicais e federações de transporte público realizaram manifestações. Elas exigiram indenizações pelos prejuízos causados em seus veículos. Em resposta, o governo reforçou o Serviço de Registro Cívico (SERECI) para que as pessoas afetadas pela gasolina defeituosa possam ter acesso a “compensações justas e rápidas”. Além disso, a YPFB enfrenta uma resolução judicial que estabelece prisão preventiva de 90 dias para a ex-gerente da petrolífera estatal, acusada de usurpação de funções e conduta antieconômica, no contexto das investigações em curso no setor.
