Risco de deslizamento força evacuação de escola usada como abrigo em Minas Gerais
A instabilidade do solo na zona da mata de Minas Gerais provocou uma nova mudança na rotina de quem já perdeu quase tudo. A Escola Municipal Antônio Faustino da Silva, situada no bairro Três Moinhos em Juiz de Fora, foi esvaziada devido à ameaça iminente de novos deslizamentos na região. O local funcionava como abrigo emergencial para vítimas das fortes chuvas desde a noite de segunda-feira.
Equipes identificaram clarões e riscos de acidentes geológicos na encosta próxima ao colégio. A decisão visou garantir a integridade física dos desabrigados, que foram transferidos para outras instalações. A maioria dos pontos de acolhimento improvisados funciona em prédios educacionais, que permanecem com as aulas suspensas até a próxima sexta-feira.
Mário Ramos, aposentado de 68 anos, precisou se movimentar novamente após passar a primeira noite no local provisório. “Dormi aí na primeira noite, mas precisamos nos deslocar para outros lugares. Agora passo o dia ajudando a distribuir doações e limpar, e à noite vou para outro abrigo”.
O cenário no entorno da instituição reflete a gravidade da situação climática. A rua de acesso está tomada pela lama e residências vizinhas exibem danos estruturais visíveis, incluindo rachaduras profundas e o colapso de cômodos inteiros. Moradores estimam que aproximadamente 100 pessoas tiveram que deixar a escola, onde ainda restam alguns pertences pessoais.
O município de Juiz de Fora contabiliza 3.500 pessoas fora de suas casas e permanece em estado de calamidade pública. As forças de segurança confirmaram 46 óbitos na região, sendo 40 na cidade e seis em Ubá. As operações de resgate seguem ativas em oito frentes de trabalho para localizar 21 desaparecidos.
Procedimentos de reconhecimento avançam no Posto Médico-Legal. A Polícia Civil informou que 33 dos 34 corpos encaminhados em Juiz de Fora já foram identificados, assim como todas as vítimas fatais registradas em Ubá.

