Siderúrgica de Mutún terá prazo de seis meses para entrar em operação em Puerto Suárez
A estatal Empresa Siderúrgica Mutún fixou prazo de seis meses para colocar em funcionamento o complexo siderúrgico instalado em Puerto Suárez, na província de Germán Busch, com ou sem a permanência da construtora Sinosteel no projeto.
A direção da companhia informou que a empreiteira respondeu formalmente às exigências técnicas e contratuais e que o acordo pode ser renegociado ou redirecionado para entrega da obra totalmente operacional. Um cronograma será apresentado para concluir pendências estruturais, finalizar estudos técnicos e iniciar testes contínuos antes da aceitação definitiva.
O presidente interino da estatal, Álvaro Tejerina, afirmou que a empresa poderá avançar para a fase de comissionamento caso as exigências sejam cumpridas.
“O consultor jurídico (da ESM) apresenta provas e relatórios de que o contrato pode ser renegociado. A ESM proporá um cronograma de seis meses para resolver todas as questões da usina , concluir as obras civis e finalizar o EDTP (Estudo Técnico de Projeto Pré-Investimento)”, afirmou ele.
Segundo o dirigente, a orientação política é garantir a operação independentemente do investimento estrangeiro.
“A instrução do povo boliviano é que a siderúrgica deve operar, com ou sem investimento chinês. É uma dívida para com todo o povo de Santa Cruz e todos os bolivianos. Estamos explorando a melhor forma legal de prosseguir e esgotando todas as possibilidades contratuais.”
Pendências técnicas, impacto econômico e pressão local
Relatório interno identificou mais de 300 falhas construtivas. A usina foi inaugurada em 2025 durante o governo de Luis Arce, mas nunca entrou em operação plena e permanece cerca de 90% concluída. A paralisação já representa perda estimada de aproximadamente 100 milhões de dólares em receitas não realizadas com a venda de aço.
Entre os principais problemas apontados está a ausência de barragem de rejeitos, considerada risco ambiental pela equipe técnica.
“Não temos uma barragem de rejeitos para o descarte dos rejeitos produzidos pela usina, o que pode causar danos ambientais”, afirmou Ricardo Márquez, da unidade ambiental da estatal.
Inspeção recente encontrou estruturas inacabadas, materiais armazenados sem instalação e sinais de deterioração em equipamentos. Parte dos trabalhadores segue em atividades administrativas enquanto equipes reduzidas executam serviços de manutenção.
A demora reforça a pressão social na região, que aguarda há décadas o início da exploração do ferro do Mutún. Lideranças locais defendem a retomada imediata para geração de empregos.
“Estamos vivendo esse sonho há pelo menos 40 anos. Queremos ver esse gigante despertar, mas, infelizmente, a administração anterior parece ter construído um berço de ouro para que ele continue adormecido”, afirmou Ronald Arias.
O dirigente cívico Antonio Tudela criticou a instabilidade administrativa.
“O que prejudicou este projeto foram as nomeações interinas (no ESM). Houve apenas um presidente permanente e creio que 11 interinos. Portanto, o presidente Rodrigo Paz precisa lançar uma convocação nacional para indicações de candidatos a um presidente permanente que seja responsabilizado , porque tudo está sendo constantemente improvisado e, quando menos se espera, o projeto não avançou (…). O culpado não é o gigante adormecido, mas nós, que adormecemos esperando que o gigante acorde”.
Paralelamente, a estatal apresentou denúncia ao Ministério Público contra ex-gestores por supostos danos econômicos. O processo corre de forma independente da negociação contratual. Também permanece em curso arbitragem internacional envolvendo a Jindal Steel sobre direitos de exploração na área mineral.
*Com informações do site EL Deber
