PUBLICIDADE
Cervo asiático invade o Pantanal e gera alerta de pesquisadores sobre riscos ao bioma

cervo indiano cervo asiático

O Cervo Asiático, Espécie nativa da Índia foi identificada a 100 km de Corumbá e pode causar desequilíbrio ambiental além de transmitir doenças para animais locais

Pesquisadores da Embrapa Pantanal e da Universidade Federal do Paraná confirmaram a presença de um cervo exótico na região pantaneira. O animal é nativo de florestas da Índia e de outros países asiáticos. A identificação ocorreu em janeiro deste ano a cerca de 100 km de Corumbá e representa um risco para a biodiversidade local. O registro marca a chegada da espécie ao bioma cerca de 17 anos após sua primeira aparição no Brasil.

A invasão do chital preocupa especialistas devido aos potenciais impactos sanitários e ecológicos. O animal compete por alimentos e pode transmitir doenças para espécies nativas como o cervo-do-pantanal e o veado-campeiro. A presença desse invasor gera riscos de desequilíbrio ambiental e também ameaça a segurança de moradores e rebanhos da região. O chital pode ultrapassar os 100 kg e apresenta comportamento agressivo em determinadas situações.

Um registro em vídeo feito na região do Nabileque mostra o comportamento hostil do animal. Funcionários de uma propriedade rural flagraram o cervo enquanto ele atacava o gado. Cães da fazenda precisaram intervir para afugentar o invasor. A área onde o avistamento ocorreu é conhecida como Chaco úmido e possui difícil acesso e baixa densidade demográfica. Essa característica geográfica torna improvável que o animal tenha escapado de cativeiros próximos e sugere uma capacidade de dispersão natural da espécie.

Walfrido Moraes Tomas e Liliani Marilia Tiepolo detalharam a surpresa dos trabalhadores rurais com o animal desconhecido.

O relato e registro em vídeo, feitos por um funcionário da propriedade rural, nos dá conta de que o chital apareceu na fazenda, atacou touros e foi perseguido por cães. O avistamento causou surpresa nos funcionários, uma vez que se tratava de um animal nunca visto, gerando uma consulta a funcionários da Embrapa Pantanal”.

A falta de políticas públicas robustas para o controle de espécies exóticas dificulta o combate a essas invasões. O cenário atual se assemelha ao problema enfrentado com os javalis em diversas partes do país. Especialistas apontam que a ausência de um serviço nacional ou estadual dedicado à vida selvagem impede ações mais assertivas de monitoramento e contenção.

Os pesquisadores publicaram uma análise técnica sobre a gravidade da situação. “Um dos problemas é que o Brasil não tem governança suficiente para tratar de controle de invasões por espécies exóticas de mamíferos como o javali, devido à dimensão geográfica e demográfica da invasão. Não temos um serviço nacional e nem estadual de vida selvagem”.

O comércio da espécie ainda ocorre livremente no ambiente virtual brasileiro. Sites especializados oferecem o animal como espécie ornamental com valores que variam entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. As propagandas sugerem o uso desses cervos em projetos de ecoturismo e reservas particulares. Essa facilidade na aquisição contribui para a disseminação do animal em territórios onde ele não ocorre naturalmente.

cervo asiático, pantanal, espécies invasoras, biodiversidade, ecologia, doenças animais, Embrapa, conservação

Casos de violência envolvendo o chital já foram registrados na América do Sul. A espécie foi introduzida no Uruguai para caça no início do século 20 e se espalhou para Argentina e Paraguai. Um incidente fatal ocorreu em 2022 na residência presidencial paraguaia, quando um sargento morreu após ser atacado por um cervo mantido no local. O governo do país vizinho indenizou a família da vítima.

Outras espécies invasoras como o búfalo também causam problemas no Pantanal. Populações ferais desses animais cresceram após tentativas frustradas de domesticação na década de 1980. A Embrapa Pantanal estima a existência de mais de 5 mil indivíduos selvagens na região. Ataques a humanos ocorrem com certa frequência e um caso recente envolveu uma turista italiana em Poconé.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade monitora o aumento de espécies exóticas em unidades de conservação federais. Dados do ciclo de atualização de 2024 para 2025 indicam um crescimento de 9% nos registros de invasores. O levantamento incluiu seis novas espécies de fauna e vinte de flora na lista de preocupação nacional.

PUBLICIDADE
andorinha cervo asiático

Veja também