Carla Perez pede desculpas após ser acusada de racismo em desfile

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Carla Perez utilizou suas redes sociais para se manifestar sobre a controvérsia gerada durante sua passagem pelo Carnaval de Salvador. A dançarina foi alvo de críticas contundentes após ser fotografada nos ombros de um segurança negro enquanto comandava o bloco infantil Algodão Doce no circuito Osmar.

A artista admitiu que a imagem projetada reforça estigmas sociais, independentemente de sua intenção original de se aproximar do público. “A imagem que ficou é dura, e eu reconheço isso. Ainda que a intenção tenha sido boa, a cena reproduz simbologias que nos atravessam enquanto sociedade. Remete a desigualdades históricas que estruturaram o nosso país e que jamais podem ser naturalizadas. Nada justifica”.

O episódio ocorreu no último domingo durante o desfile que marcou a despedida de Carla do comando do bloco. A cena repercutiu negativamente na internet, onde usuários da rede social X compararam o momento a retratos do período escravocrata. “Brasil, século 21, sinhá Carla Perez e seu serviçal”.

Outros comentários questionaram a escolha do funcionário para o suporte físico, citando a presença do marido da cantora no local. “Por que não montou no Xanddy?”.

Carla explicou que a atitude foi motivada pela necessidade de contato físico com as crianças e sua própria estatura, mas reforçou que compreende a gravidade da interpretação visual. Ela destacou a importância de não apenas pedir perdão, mas assumir uma postura ativa diante do racismo estrutural. “Peço desculpas, de forma direta e sincera. Reconhecer o erro é o meu primeiro passo. O segundo é agir”.

A apresentação contava com a participação de Xanddy Harmonia e da dupla Patati e Patatá, encerrando um ciclo da apresentadora à frente do trio. A partir do próximo ano, a liderança do bloco será transferida para Lore Improta. Carla ressaltou o legado do projeto e a importância da cultura negra na folia baiana. “O Carnaval de Salvador, a maior festa de rua do planeta, é feito majoritariamente por pessoas negras e para pessoas negras. Ele é expressão de resistência, cultura e potência”.

Ao finalizar o pronunciamento, a ex-dançarina do É O Tchan reafirmou seu posicionamento contra práticas discriminatórias. “Reafirmo meu compromisso inegociável de combater qualquer prática ou simbologia que reforce o racismo estrutural”.

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