Estados reforçam fiscalização enquanto metanol em bebidas registra casos e mortes

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Estados que registraram mortes e casos relacionados ao consumo de bebidas adulteradas com metanol entram em regime de alerta para o carnaval, diante do levantamento mais recente do Ministério da Saúde sobre o tema.

Conforme dados oficiais, em 2025 foram confirmados 76 casos de intoxicação por metanol associados a bebidas alcoólicas, com outras 29 ocorrências sob investigação. No mesmo período, 25 óbitos foram confirmados e mais oito mortes seguem em apuração. No ano em curso, até 3 de fevereiro, foram confirmados sete casos e 13 continuam em investigação.

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo atualizou nessa quarta-feira, 11, o balanço sobre os episódios relacionados ao metanol. O estado concentrou o maior número de registros, com 52 casos confirmados e 12 mortes. Entre os óbitos confirmados estão quatro homens de 26, 45, 48 e 54 anos residentes da cidade de São Paulo, uma mulher de 30 anos e um homem de 62 anos de São Bernardo do Campo, dois homens de 23 e 25 anos e uma mulher de 27 anos de Osasco, um homem de 37 anos de Jundiaí, um homem de 26 anos de Sorocaba e um homem de 26 anos de Mauá.

Além desses casos, quatro óbitos permanecem sob investigação, referentes a um paciente de 39 anos em Guariba, uma vítima de 31 anos em São José dos Campos e dois pacientes de Cajamar, de 29 e 38 anos. A Secretaria de Estado da Saúde alerta a população sobre os riscos do consumo de bebidas adulteradas e faz recomendações práticas para reduzir a exposição.

O Centro de Vigilância Sanitária do estado de São Paulo está coordenando ações com as vigilâncias sanitárias municipais, que são responsáveis pela inspeção de estabelecimentos e de vendedores ambulantes que comercializam alimentos e bebidas alcoólicas, incluindo verificação de origem e procedência dos produtos. O órgão orienta que bares, empresas e demais estabelecimentos redobrem a atenção e que os consumidores adquiram apenas bebidas de fabricantes regularizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal.

A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco informou que foram confirmados oito casos de intoxicação por metanol no estado, incluindo cinco óbitos em outubro e novembro de 2025, e alertou sobre a possibilidade de contaminação em destilados de procedência duvidosa. A secretaria divulgou orientação ao público

“Desconfie de bebidas com preço muito abaixo do mercado. Não ingira misturas prontas vendidas em garrafas pet ou recipientes inadequados. Compre de estabelecimentos licenciados pela vigilância sanitária ou vendedores credenciados pela prefeitura. Latas lacradas são mais seguras”

A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária espera realizar mais de quinhentas inspeções, com foco em bares, camarotes, restaurantes e locais de grande concentração de pessoas, além do comércio ambulante, para checar o armazenamento e a venda adequada de alimentos e bebidas.

Na Bahia foram confirmados nove casos de intoxicação por metanol, dos quais três evoluíram para óbito, com vítimas residentes em Ribeira do Pombal, Cansanção e Juazeiro. A Secretaria da Saúde do estado, em parceria com o Ministério da Saúde, reforçou estoques do antídoto para eventual necessidade e tem incentivado que os municípios intensifiquem a fiscalização da venda e distribuição de bebidas destiladas.

O Paraná confirmou seis ocorrências relacionadas ao metanol, três delas com desfecho fatal, e encerrou a Sala de Situação sobre o tema em 24 de novembro de 2025. Já em Mato Grosso foram registradas seis confirmações de intoxicação, com quatro mortes entre novembro e dezembro de 2025, e a secretaria estadual relatou que intensificou ações de vigilância e fiscalização, mesmo sem registro de novos casos há mais de 30 dias.

No Rio de Janeiro não foram registrados casos ou mortes relacionados a metanol em bebidas. Ainda assim, a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e o Procon estão com o Laboratório Itinerante do Consumidor nas ruas, percorrendo blocos e o Sambódromo para testar em tempo real amostras suspeitas. O aparelho portátil compara fórmulas originais dos destilados com amostras coletadas durante as fiscalizações.

Em ações no último fim de semana, realizadas em blocos da zona sul e do centro, cerca de 26 litros de bebidas falsificadas foram apreendidos e testados, demonstrando o risco desses produtos. O secretário de Estado de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca, ressaltou a ação do órgão e declarou

“A venda de bebidas falsificadas é uma prática criminosa que coloca vidas em risco. Nossa atuação é firme para retirar esses produtos de circulação e alertar a população sobre os perigos desse consumo”

Sinais e sintomas de alerta

Nos primeiros até seis horas após a ingestão, os sinais mais frequentes incluem dor abdominal intensa, sonolência, falta de coordenação, tontura, náuseas, vômitos, dor de cabeça, confusão mental, taquicardia e pressão arterial baixa.

Entre seis e 24 horas podem surgir sintomas visuais como visão turva, fotofobia, visão embaçada, pupilas dilatadas e perda da percepção de cores, além de convulsões, coma e acidose metabólica grave. Em quadros mais severos a evolução pode levar à cegueira irreversível, choque, pancreatite, insuficiência renal e necrose de gânglios da base com tremor, rigidez e lentidão dos movimentos.

O patologista clínico Hélio Magarinos Torres Filho, diretor médico do Richet Medicina e Diagnóstico, explicou que o metanol, ao ser metabolizado, gera substâncias altamente tóxicas que prejudicam a produção de energia celular e afetam sobretudo o sistema nervoso, podendo provocar acidose metabólica grave e complicações como lesão do nervo óptico, convulsões e insuficiência respiratória. Em seguida ele alertou sobre o aparecimento dos sinais

“Os sintomas costumam surgir de forma progressiva, geralmente entre seis e 24 horas após a ingestão da bebida, podendo, em alguns casos, aparecer até 48 horas depois”

O especialista também chamou atenção para manifestações oculares e orientou condutas ao buscar atendimento médico

“As alterações visuais são as mais características e não devem ser ignoradas, mesmo quando discretas. Ao chegar ao serviço de emergência é importante relatar a suspeita de ingestão de bebida de origem duvidosa e, se possível, levar a embalagem ou uma amostra do que foi consumido”

Há exames que confirmam a intoxicação por metanol, como a dosagem do álcool no sangue ou na urina, contudo nem sempre esses testes estão disponíveis de imediato. O ministério da Saúde recomenda que o tratamento não seja postergado até a confirmação laboratorial

“Como medida de prevenção, a recomendação aos foliões é consumir apenas bebidas de procedência conhecida, evitar produtos sem rótulo ou vendidos em condições suspeitas e buscar atendimento médico diante de qualquer sinal incomum após o consumo de álcool” finaliza Magarinos.

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