Mato Grosso do Sul concentra animais exóticos e paisagens únicas
Mato Grosso do Sul, com seu coração pulsante no Pantanal, oferece uma imersão incomparável em um santuário de biodiversidade. Se você busca desvendar os segredos de um ecossistema exuberante, habitado por animais que parecem saídos de um documentário, e paisagens que desafiam a imaginação, este guia é para você. Prepare-se para conhecer um dos destinos mais surpreendentes do Brasil, onde a natureza se manifesta em sua forma mais grandiosa e selvagem.
Aqui, a vida selvagem não é apenas abundante, mas também acessível à observação, tornando cada visita uma aventura. Este artigo explora as curiosidades sobre a fauna e a flora sul-mato-grossense, revelando por que este estado é um tesouro nacional, lar de espécies exóticas e cenários que ficam gravados na memória de qualquer viajante.
O coração selvagem do Brasil: o Pantanal Sul
O Pantanal, embora seja o menor dos biomas brasileiros em área, é um verdadeiro gigante em termos de biodiversidade. Abrangendo parte dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, ele se estende como a sexta maior área úmida inundada do mundo, com cerca de 150 mil km². Sua classificação como ecótono — uma região de transição entre cinco biomas (Amazônia, Bosque Seco Chiquitano, Cerrado, Chaco e Mata Atlântica) — é o que explica sua incrível riqueza de espécies.
A alternância entre períodos de seca e inundações é o motor desse ecossistema. Essa dinâmica hídrica favorece uma produtividade primária abundante, que sustenta toda a cadeia alimentar, resultando em uma alta densidade populacional de animais. Para se ter uma ideia, o Pantanal registra aproximadamente 1300 espécies animais conhecidas, com estimativas de que esse número possa ser ainda maior, especialmente em relação aos invertebrados. É, sem dúvida, a área úmida com maior riqueza de espécies de aves no mundo e a maior densidade de mamíferos por km².
Apesar dessa vasta quantidade, há poucos registros de espécies endêmicas no Pantanal. Isso se deve, em parte, à sua história geológica recente e à instabilidade climática ao longo de milênios, que não permitiram um espaço evolutivo suficiente para processos de especiação exclusivos. No entanto, a adaptabilidade das espécies que ali vivem é um testemunho da resiliência da natureza.

Os gigantes do Pantanal: conheça os “big 5+4”
Esqueça a ideia de que os “Big 5” são exclusividade da África. O Pantanal de Mato Grosso do Sul ostenta seus próprios gigantes, nove espécies emblemáticas que são as maiores de seu tipo nas Américas ou no mundo. Elas são as estrelas dos safáris fotográficos e proporcionam encontros inesquecíveis.
Onça-pintada (panthera onca)
Considerada o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo, a onça-pintada é um predador de topo de cadeia alimentar. Com até 1,60 metro de comprimento e pesos que chegam a 158 kg para machos adultos, ela é vital para o equilíbrio do ecossistema, alimentando-se de mais de 80 espécies. Infelizmente, a onça-pintada se encontra em estado de conservação vulnerável, devido ao desmatamento, fragmentação de habitat e caça ilegal.
Tamanduá-bandeira (myrmecophaga tridactyla)
Este mamífero impressionante é o maior de todos os tamanduás, famoso por sua cauda que lembra uma bandeira. Ele mede entre 1,00 e 1,40 metro de comprimento e pode pesar até 45 kg. Um único tamanduá-bandeira pode consumir até 30 mil formigas e cupins por dia, utilizando suas garras fortes para abrir formigueiros e cupinzeiros, e sua língua comprida para capturar os insetos. É uma das espécies mais procuradas nos safáris e também está ameaçada de extinção.

Cervo-do-pantanal (blastocerus dichotomus)
O maior cervídeo da América do Sul, o cervo-do-pantanal, é um animal elegante, com uma altura que pode variar de 1,15 a 1,30 metro e um peso entre 100 e 150 kg. Suas patas são adaptadas para áreas alagadas, com cascos que possuem uma membrana interdigital que facilita a locomoção na água. Apenas os machos possuem chifres ramificados, que podem atingir até 60 centímetros de comprimento.

Anta (tapirus terrestris)
A anta é o maior mamífero terrestre da América do Sul e uma verdadeira “jardineira das florestas”. Com até 2 metros de comprimento e podendo pesar até 300 kg, ela é fundamental para a dispersão de sementes. Apesar de seu porte, é um animal tímido e de hábitos noturnos, o que a torna mais difícil de ser avistada em safáris diurnos.

Capivara (hydrochoerus hydrochaeris)
O maior roedor do mundo é também uma das figuras mais carismáticas e facilmente avistadas no Pantanal. As capivaras, que chegam a 1,30 metro de comprimento e pesam até 70 kg, vivem em grupos sociais e estão sempre perto da água, onde são excelentes nadadoras. Podem permanecer submersas por até 10 minutos para despistar predadores.
Ema (rhea americana)
A ema é a maior ave das Américas, podendo atingir 1,70 metro de comprimento e pesar até 36 kg. Apesar de suas grandes asas, ela não voa, mas compensa com uma velocidade impressionante de até 60 km/h, utilizando as asas para manobrar em ziguezague. Curiosamente, o macho dominante é quem choca e cuida dos ovos de várias fêmeas.

Ariranha (pteronura brasiliensis)
Conhecida como a lontra-gigante, a ariranha é o maior membro da família dos mustelídeos. Pode chegar a 180 cm de comprimento e pesar até 35 kg. Vive em grupos nas margens dos rios, onde constrói suas tocas e se alimenta principalmente de peixes. Sua cauda robusta e membranas interdigitais a tornam uma exímia nadadora, um espetáculo à parte nos passeios fluviais.
Sucuri-amarela (eunectes notaeus)
Entre as serpentes, a sucuri-amarela se destaca no Pantanal. Endêmica da região, ela pode atingir até 5 metros de comprimento e pesar mais de 100 kg, vivendo cerca de 30 anos na natureza. É um predador solitário que se alimenta de peixes, aves e mamíferos de pequeno a médio porte, sendo frequentemente avistada em áreas alagadas.

Tuiuiú (jabiru mycteria)
O símbolo do Pantanal, o tuiuiú, é a maior ave aquática voadora das Américas. Com seu pescoço preto e papo vermelho contrastando com a plumagem branca, atinge 1,60 metro de altura e uma envergadura de quase 3 metros. Seus ninhos são verdadeiras obras arquitetônicas. É uma ave de grande importância cultural e biológica, protegida por lei como a ave símbolo do bioma.

A riqueza da biodiversidade em números e curiosidades
A grandiosidade do Pantanal se reflete em dados surpreendentes. Se o bioma fosse um país, estaria na 39ª posição entre os países com maior biodiversidade do mundo. A fauna pantaneira é um mosaico de espécies de biomas vizinhos, com predomínio de mamíferos do Cerrado, aves do Chaco, da Amazônia e da Mata Atlântica, e peixes da Amazônia.
- Aves (cerca de 620 espécies): Além do tuiuiú e da arara-azul-grande, há emas, tucanos, garças-brancas e seriemas.
- Peixes (cerca de 320 espécies): Incluem piranhas, pacus, pintados, dourados (antes comuns, agora escassos devido à pesca predatória), cacharas e curimbatás.
- Mamíferos (cerca de 150 espécies): Além dos “Big 5+4”, encontramos capivaras, veados-campeiros, lobos-guarás e antas.
- Répteis (cerca de 130 espécies): Jacarés-do-pantanal, sucuris, jiboias, cobras-d’água, calangos-verdes, jabutis e cágados.
- Anfíbios (cerca de 60 espécies): Pererecas-de-bananeira, sapos-cururus e rãs-do-chaco.
É interessante notar a presença de canídeos nativos no Pantanal, como o cachorro-vinagre (speothos venaticus). Pequenos, com orelhas e patas curtas, vivem em grupos sociais e são excelentes caçadores, com membranas interdigitais que facilitam sua locomoção na água. Diferentemente dos cachorros domésticos, que também são encontrados em propriedades rurais, os canídeos silvestres são parte integrante do delicado equilíbrio do bioma.

Desafios e conservação de um tesouro natural
Apesar de sua exuberância, o Pantanal enfrenta sérios desafios. As atividades agropecuárias, o desmatamento, a introdução de espécies não nativas (como o tucunaré, mexilhão-dourado, javali e búfalos asselvajados) e os incêndios criminosos têm causado grande impacto. As mudanças climáticas também representam uma ameaça significativa, com previsões de redução de até 30% nas precipitações nos próximos anos, intensificando os períodos de seca.
Espécies como a onça-pintada, a ariranha e a arara-azul-grande estão em risco de extinção, o que reforça a urgência das ações de conservação. Iniciativas de preservação, como o Projeto Arara Azul, são cruciais para garantir o futuro dessas e de outras espécies, além de todo o ecossistema pantaneiro.
Mato Grosso do Sul é um convite à descoberta, um lugar onde a natureza se revela em sua forma mais espetacular e selvagem. Suas paisagens únicas e a diversidade de animais exóticos, muitos deles os maiores de suas espécies, oferecem uma experiência inesquecível. Visitar este santuário natural é mais do que uma viagem; é uma oportunidade de se conectar com a essência da vida selvagem e de testemunhar a importância de proteger um dos ecossistemas mais valiosos do planeta. Ao escolher o ecoturismo responsável, você contribui diretamente para a conservação desse patrimônio natural para as futuras gerações.


