Unesp lança graduação em língua e cultura chinesas com dois anos de estudo na China
Programa terá início no vestibular de meio de ano de 2026 e prevê custeio de passagens e moradia pelo governo chinês para metade da turma
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) oficializou a criação de um bacharelado em língua e cultura chinesas com um formato inédito no ensino superior brasileiro. O curso será ministrado na Faculdade de Ciências e Letras do campus de Assis e oferecerá 40 vagas a partir do Vestibular Meio de Ano de 2026. A grade curricular combina o ensino do mandarim com formação sociopolítica e disciplinas voltadas às relações comerciais entre Brasil e China.
O diferencial da graduação está na possibilidade de internacionalização direta. Dos 40 ingressantes, até 20 estudantes poderão cursar os dois últimos anos da formação na Universidade de Hubei, localizada em Wuhan. O grupo selecionado para a experiência no exterior terá direito a dupla diplomação, com reconhecimento formal do título em ambos os países.
A proposta pedagógica busca atender a uma demanda de mercado por profissionais que compreendam a China além do idioma, abrangendo aspectos econômicos e diplomáticos. Renata Udulutsch, diretora da unidade de Assis, destaca que a iniciativa surgiu do interesse de cooperativas e empresas do agronegócio regional. “A gente não queria apenas um curso de letras. Pensamos em algo que unisse língua, cultura e questões ligadas à economia e às relações internacionais, considerando o papel da China no cenário mundial”.
Estrutura curricular e seleção
Os dois primeiros anos do curso ocorrem no Brasil e compõem um núcleo comum obrigatório. Os alunos estudarão língua, literatura, cultura, história, política, filosofia e economia chinesas. Não é necessário ter conhecimento prévio de mandarim para ingressar na graduação, pois o objetivo é que o estudante alcance a proficiência necessária ao final do segundo ano letivo.
A definição dos alunos que viajarão para a China ocorrerá na metade do curso. O processo seletivo levará em conta o desempenho acadêmico geral, o total de créditos concluídos e a nota em um exame de proficiência aplicado pelo Instituto Confúcio. A entidade é parceira da universidade desde 2008 e atua na difusão da cultura asiática.
Os estudantes aprovados para o intercâmbio terão despesas significativas cobertas pelo governo chinês. O pacote de benefícios inclui passagens aéreas, moradia, alimentação e uma bolsa de estudos. A limitação de 20 vagas para essa etapa deve-se aos custos envolvidos no programa de mobilidade.
Diferenciais e titulação
O modelo de certificação varia conforme a trajetória do aluno. Quem concluir o curso integralmente no Brasil receberá o diploma da Unesp com ênfase em tradução. Já os estudantes que realizarem a segunda metade da graduação em Wuhan obterão a dupla titulação, com foco voltado para relações comerciais internacionais.
A diretora da unidade ressalta que o projeto se distingue de outras formações existentes no país, como o bacharelado em língua chinesa da USP, pela integração com o mercado. “Nós não temos uma formação tão ampla quanto neste curso que está sendo oferecida. Pegamos os principais aspectos relacionados à relação comercial Brasil-China e incluímos nos programas das disciplinas”.
Ingresso e investimentos
As aulas terão início em agosto de 2026, data que coincide com o começo do ano letivo na China. Das 40 vagas disponíveis, 36 serão preenchidas pelo vestibular tradicional da Unesp e quatro através do sistema Unesp-Enem. A política de cotas da universidade será aplicada, destinando metade das vagas de cada modalidade para estudantes de escolas públicas.
Para viabilizar o novo curso, a parceria internacional prevê um aporte anual de aproximadamente US$ 300 mil, destinado a melhorias na infraestrutura do campus de Assis. A universidade também realizará a contratação de dois servidores técnico-administrativos e cinco novos docentes, cobrindo áreas como língua e literatura chinesa, história do Leste Asiático e economia internacional.

