Toffoli admite sociedade em resort e nega ter recebido pagamentos de Vorcaro

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O gabinete do ministro Dias Toffoli divulgou nota na manhã de quinta-feira reconhecendo a participação societária do magistrado em empresa familiar que negociou fatias do resort Tayaya, em Ribeirão Claro no Paraná, e reiterou a negativa de ter recebido valores do principal investigado no caso Master.

O documento acrescenta que Toffoli é relator do inquérito que apura supostas fraudes financeiras no banco Master, investigação que inclui tentativas de venda da instituição e foi alvo de ações do Banco Central. A Polícia Federal entregou em 9 de fevereiro ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, um relatório que cita conversas envolvendo Daniel Vorcaro, proprietário do Master, e em seguida Fachin notificou o ministro a se manifestar.

Ao explicar os limites legais da participação do magistrado em empreendimentos privados, o gabinete invocou a Lei Orgânica da Magistratura e consignou que “pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador”

Segundo a nota, a sociedade familiar chama-se Maridr e reúne irmãos e outros parentes. A participação no resort Tayaya foi vendida em duas etapas, parte ao fundo Arllen em 27 de setembro de 2021 e parte à empresa PHD Holding em 21 de fevereiro de 2025, e todas as operações foram declaradas à Receita Federal.

O gabinete ressaltou que o inquérito sobre o Master chegou ao gabinete em novembro do ano passado quando a Maridr já não detinha participação no empreendimento. O texto conclui com a afirmação direta sobre laços pessoais e eventuais repasses financeiros e registra que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”

O relatório da Polícia Federal, cujo teor foi vazado à imprensa, reúne menções ao ministro em diálogos entre Vorcaro e seu cunhado Fábio Zettel, que a investigação apresenta como uma espécie de contador informal do banqueiro. As conversas estariam relacionadas ao resort Tayaya, segundo informações do próprio relatório.

Em nota anterior, divulgada na noite de quarta-feira, o gabinete questionou um pedido de suspeição apresentado pela PF e qualificou a iniciativa como “trata de ilações”, ao mesmo tempo em que sustentou que a corporação não tem legitimidade para pleitear a suspeição de magistrados; as explicações foram encaminhadas a Fachin.

Toffoli tem enfrentado pressão desde a revelação de uma viagem em dezembro em um jato particular na companhia do advogado ligado a um dos investigados, e também por decisões no caso consideradas atípicas pelos interlocutores da investigação. Entre as medidas apontadas como atípicas esteve a determinação para que provas coletadas em uma fase da Operação Compliance Zero fossem enviadas ao Supremo antes da perícia da Polícia Federal. O ministro recuou em parte dessas medidas, mantendo, porém, intervenção sobre a escolha de peritos.

A nota do gabinete busca, com os esclarecimentos públicos, delimitar a natureza da participação societária, a cronologia das vendas e a inexistência de recebimentos de valores atribuídos a Vorcaro, enquanto o caso segue sob análise no Supremo e sob atenção da Polícia Federal.

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