Piloto preso por liderar rede de abuso sexual dizia abertamente gostar de crianças

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Investigação aponta que suspeito pagava despesas domésticas para ter acesso a menores e mantinha esquema criminoso há oito anos

A operação policial deflagrada na última segunda-feira resultou na detenção de Sergio Antonio Lopes, de 60 anos, apontado como o chefe de um esquema voltado à exploração sexual de menores. O piloto, que se preparava para comandar uma aeronave da Latam com destino ao Rio de Janeiro, foi interceptado por agentes no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

As investigações conduzidas pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) indicam que o suspeito cooptava mães e avós para ter acesso às vítimas, oferecendo pagamentos modestos ou custeando despesas essenciais como aluguel, medicamentos e até aparelhos de televisão. Ivalda Aleixo, delegada responsável pelo caso, detalhou a postura do investigado durante os encontros. “Nos encontros, ele deixava claro: ‘Gosto de crianças’”.

Um dos episódios mais graves apurados pela polícia envolve uma mulher, avó de duas adolescentes, detida sob a acusação de vender as próprias netas para o piloto. Os abusos contra uma das jovens, hoje com 18 anos, teriam iniciado quando ela tinha 13, enquanto a outra, atualmente com 14 anos, começou a sofrer violências sexuais por volta dos 11 anos.

O material apreendido no celular de Lopes revelou um vasto arquivo de pornografia infantil, incluindo registros de crianças muito pequenas que ainda não foram identificadas e passarão por análise pericial. A estratégia de aliciamento incluía o uso de vítimas para atrair outras meninas, criando uma falsa sensação de segurança e confiança entre elas, focando principalmente em regiões periféricas.

A ação integra a operação Apertem os Cintos, coordenada pela 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia, que apura a existência dessa rede criminosa há pelo menos oito anos. O inquérito teve início em outubro, motivado pela atitude de uma das vítimas que decidiu procurar as autoridades pessoalmente para relatar os fatos, sem recorrer ao anonimato.

A Secretaria da Segurança Pública informou que o inquérito abrange uma série de crimes, incluindo estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição, produção e armazenamento de pornografia infantojuvenil, perseguição reiterada (stalking) e coação no curso do processo. Ao todo, dez vítimas já foram identificadas.

A companhia aérea Latam comunicou a abertura de uma apuração interna imediata e afirmou estar à disposição para colaborar com as autoridades policiais. “A companhia repudia veementemente qualquer ação criminosa e reforça que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta”.

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