Musk planeja fusão entre SpaceX e xAI para criar novo conglomerado tecnológico
Empresário aposta em infraestrutura orbital para processamento de dados e busca fortalecer avaliação financeira da companhia de foguetes visando investidores
Elon Musk sinalizou ao mercado sua intenção de fundir a SpaceX com a xAI, sua empresa de inteligência artificial. A estratégia visa integrar as operações para viabilizar a construção de data centers no espaço sideral. Segundo a visão apresentada pelo empresário, essas estruturas orbitais poderiam se expandir livremente e utilizar energia solar ilimitada, contornando burocracias terrestres e restrições energéticas que atualmente limitam o setor.
O plano inclui uma previsão otimista sobre a viabilidade econômica do projeto. Em memorando enviado a funcionários e investidores, Musk estimou que levar os data centers para fora da atmosfera se tornará a opção de menor custo para alimentar sistemas de IA dentro de dois a três anos. “Essa eficiência de custos por si só permitirá que empresas inovadoras avancem no treinamento de seus modelos de IA e no processamento de dados em velocidades e escalas sem precedentes, acelerando descobertas em nossa compreensão da física e invenção de tecnologias que beneficiem a humanidade.”
Existem motivações financeiras imediatas para a consolidação dos negócios. A incorporação da xAI fortaleceria a SpaceX antes de uma possível oferta pública inicial (IPO) planejada para este ano, com a expectativa de levantar até 50 bilhões de dólares. O acordo avaliou a empresa aeroespacial em 1 trilhão de dólares, um aumento considerável em relação aos 800 bilhões de dezembro, enquanto a xAI foi avaliada em 250 milhões. A fusão permite que a SpaceX ofereça aos seus investidores uma participação no aquecido mercado de inteligência artificial.
Conglomerados de tecnologia têm demonstrado capacidade de agrupar negócios distintos de forma eficaz, seguindo exemplos como a Alphabet, controladora do Google e Waymo, e a Amazon. Justus Parmar, CEO da Fortuna Investments, vê a fusão como uma oportunidade positiva. Sua empresa, que já havia investido na OpenAI e recusado um aporte direto na xAI, agora se diz animada em obter uma fatia do negócio de Musk através da união com a SpaceX.
A governança corporativa e a falta de consulta prévia aos investidores geram ressalvas no mercado. A condução centralizada de Musk, que já acumula a liderança da Tesla, Neuralink e Boring Company, levanta questionamentos sobre conflitos de interesse e foco operacional. Ross Gerber, investidor da xAI, comentou sobre o estilo de gestão do bilionário. “Quando você investe com Elon, ele não se importa com o que você quer. Ele vê você como um participante sortudo de seu sucesso.”
Sinergias operacionais entre as empresas do grupo já ocorrem na prática. A Tesla utiliza aço desenvolvido pela SpaceX na fabricação do Cybertruck e integrou o chatbot Grok em seus veículos. Uma fusão formal permitiria o compartilhamento de recursos de engenharia e maior poder de negociação na compra de componentes críticos, como chips de computador especializados. Há especulações sobre uma futura união entre SpaceX e Tesla, embora analistas alertem para barreiras legais significativas.
A manobra desafia as convenções tradicionais de fusões corporativas, que geralmente unem negócios do mesmo setor. Eric Talley, professor da Faculdade de Direito de Columbia especializado em governança, analisou a singularidade da proposta. “Se você tirar Elon Musk da equação, é uma jogada estranha de se fazer. Mas ele parece ser o mestre das jogadas estranhas e tem uma capacidade invejável de desafiar a gravidade quando se trata dessas coisas.”

