Reino Unido investiga X por imagens sexuais falsas criadas pelo Grok
O regulador de dados do Reino Unido abriu um inquérito formal nesta terça-feira para analisar os riscos da ferramenta de IA da rede social de Elon Musk.
O Gabinete do Comissário de Informação anunciou a abertura de uma investigação contra a rede social X devido à geração de imagens de caráter sexual pelo seu assistente de inteligência artificial. A ação do órgão regulador britânico, conhecido pela sigla ICO, responde à indignação internacional provocada pela capacidade da ferramenta Grok em criar conteúdo impróprio.
A apuração abrange também a xAI, empresa de inteligência artificial que adquiriu a plataforma no ano passado sob o comando de Elon Musk. O objetivo é verificar a conformidade das operações com as leis de privacidade e segurança digital vigentes no país. “A criação e a difusão apontadas desse tipo de conteúdo suscitam sérias preocupações em relação à lei britânica de proteção de dados e representam um risco potencial de prejuízo significativo para o público”.
A polêmica em torno do assistente virtual surgiu após usuários conseguirem solicitar a criação de nudez realista a partir de fotos ou vídeos de pessoas reais. Esse cenário levou alguns países a bloquearem totalmente o Grok em janeiro, enquanto a plataforma comunicou limitações da ferramenta em locais onde tais imagens são ilegais, embora a abrangência exata dessa restrição permaneça incerta.
O Reino Unido endureceu recentemente sua legislação para combater crimes digitais dessa natureza. A nova lei criminaliza tanto a produção quanto a solicitação de criação de imagens íntimas sem o consentimento da vítima.
As consequências financeiras para a empresa podem ser severas caso as violações sejam confirmadas. O ICO tem autoridade para aplicar multas que chegam a 4% do faturamento anual mundial da companhia investigada.
Esta não é a única frente de pressão regulatória que a rede social enfrenta em território britânico. O Ofcom, responsável pela regulação da mídia, iniciou uma investigação separada em 12 de janeiro para determinar se houve falha na moderação de conteúdos ilegais e na proteção de menores. Essa autoridade possui poder para impor multas de até 10% do faturamento global e pode recorrer à Justiça para solicitar o bloqueio do aplicativo no país.
Os problemas legais de Elon Musk também se estendem à França. O bilionário foi convocado para depor em abril no âmbito de um inquérito sobre supostos desvios da plataforma, enquanto as instalações da empresa em solo francês passaram por buscas.
A investigação atual do ICO focará nos aspectos técnicos e éticos do desenvolvimento da ferramenta. O órgão buscará determinar “se os dados pessoais foram tratados de maneira lícita, leal e transparente, e se salvaguardas apropriadas foram integradas ao design e à implantação do Grok”.

