Condenada a 260 anos e apontada como líder de facção é presa na Bolívia

A Polícia Civil de Mato Grosso confirmou nesta quarta-feira, 23 de setembro, a captura na Bolívia de Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, condenada a penas que somam 260 anos de prisão. Segundo o delegado Vitor Hugo Caetano, ela passou por procedimentos estéticos para alterar a aparência enquanto permanecia foragida desde a fuga de uma penitenciária feminina em Cuiabá.

A prisão ocorreu na terça-feira, 22, em Santa Cruz de la Sierra, durante uma ação conjunta de policiais brasileiros e bolivianos. Conforme a investigação, Angélica tinha seis mandados de prisão em aberto e era apontada como uma das principais lideranças do Comando Vermelho no norte de Mato Grosso, principalmente na região de Alta Floresta.

Durante o período fora do Brasil, a foragida teria realizado diferentes intervenções estéticas. O delegado responsável pela investigação informou que foram identificados procedimentos no rosto, incluindo preenchimento labial, alteração no queixo e intervenções ligadas à harmonização facial.

Além das mudanças físicas, a Polícia Civil informou que Angélica apresentou um documento brasileiro com identidade diferente da verdadeira quando foi localizada. Os investigadores, porém, já haviam compartilhado dados de identificação com as autoridades bolivianas durante o trabalho de localização.

A fuga ocorreu em 17 de agosto de 2025, quando Angélica deixou a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, junto com outra detenta. Desde então, forças de segurança passaram a acompanhar possíveis deslocamentos e contatos mantidos pela foragida fora do país.

Condenações chegam a 260 anos

As penas impostas a Angélica incluem condenações por homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa. Segundo a Polícia Civil, ela também exercia influência sobre atividades criminosas em municípios do norte de Mato Grosso.

Parte das investigações atribui ao grupo atuação em tráfico de drogas, extorsões e atividades ilegais ligadas a áreas de garimpo. Essas frentes integram apurações conduzidas pelas forças de segurança e não se confundem com todas as condenações já impostas pela Justiça.

Em uma das ações penais, Angélica recebeu pena de quase 100 anos de prisão pela participação na morte de quatro trabalhadores no norte do Estado. O crime ocorreu em 2022 e integra o conjunto de processos que elevaram as condenações acumuladas para cerca de 260 anos.

A localização na Bolívia envolveu equipes da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado, da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Polinter, além da polícia boliviana.

Após a captura, as autoridades iniciaram os procedimentos legais necessários para o retorno da condenada ao Brasil, onde deverá ficar à disposição da Justiça para cumprimento das ordens judiciais.

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