Novo agente de IA assume controle do computador e especialistas alertam para riscos de segurança

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Software capaz de enviar e-mails e gerenciar redes sociais sem confirmação humana levanta debate sobre privacidade e vulnerabilidade a ataques digitais

A tela de instalação do Openclaw já apresenta um aviso direto ao usuário sobre o poder e o perigo inerente da ferramenta antes de prosseguir. O software atua como um agente de inteligência artificial projetado para operar diretamente na máquina, com capacidade de enviar e-mails, ler mensagens em aplicativos, criar anotações em documentos e agendar publicações em redes sociais sem a necessidade de intervenção humana constante.

O programa passou por mudanças de identidade desde seu lançamento, há cerca de dois meses, quando se chamava Clawdbot. O criador Peter Steinberger alterou a nomenclatura para Moltbot e, posteriormente, para Openclaw na última sexta-feira, após uma solicitação da Anthropic relacionada aos direitos autorais do modelo Claude. O código é aberto e armazenado localmente, mas o funcionamento depende de uma conexão com nuvens de inteligência artificial, como ChatGPT ou o próprio Claude, geralmente exigindo assinaturas pagas devido ao alto consumo de dados.

A proposta da tecnologia é acessar arquivos pessoais para compreender o contexto das solicitações e agir com autonomia plena. Ao receber um comando para enviar uma mensagem a um familiar, por exemplo, o robô analisa conversas antigas para identificar o contato correto e realiza o envio sem solicitar uma segunda confirmação.

Essa mudança de paradigma transforma sistemas que antes apenas observavam o comportamento digital em agentes ativos. Percival Henriques, conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil e fundador da Anid, compara a situação a alguém que deixa de apenas ler um diário alheio para escrever nele. “O que os agentes de IA fazem é transformar um observador em operador. Antes, o Google lia seus emails para vender anúncios. Agora, o agente lê seus emails para responder por você. A diferença é sutil, mas o leitor atento perceberá que há uma. É como a diferença entre alguém que bisbilhota seu diário e alguém que, com a melhor das intenções, passa a escrever nele em seu nome.”

A arquitetura que exige confiança total do usuário levanta preocupações sobre a segurança das informações sensíveis e o potencial de prejuízos ao dispositivo. Daniel Barbosa, especialista em cibersegurança da Eset Brasil, alerta para a possibilidade de o agente ser manipulado por conteúdos maliciosos na web, técnica conhecida como “prompt injection”, onde instruções ocultas enganam a IA. “Se há alguma página falsa de companhia aérea com preço atrativo, o Openclaw pode acabar preenchendo um formulário com todas as informações possíveis da pessoa, cartão de crédito, endereço, acreditando que está fazendo aquilo de forma válida.”

O uso da ferramenta ainda é considerado imaturo para adoção em larga escala e requer cuidados específicos, como a utilização de máquinas virtuais para isolar o ambiente e pesquisa prévia sobre mecanismos de segurança. Barbosa reforça que a manipulação do código aberto e a exigência de acesso amplo a dados pessoais tornam a operação arriscada no estágio atual. “Quando você o municia com muitas informações, ele pode usá-las de uma forma que o usuário não está planejando que aconteça.”

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