Memorial em Brumadinho completa um ano preservando memória e restos mortais das vítimas
O Memorial Brumadinho completa seu primeiro ano de funcionamento neste domingo (25), data que também marca os sete anos do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão. O espaço desempenha a função de preservar a memória do desastre e serve como local de salvaguarda para segmentos corporais das vítimas encontrados durante as buscas contínuas.
A estrutura abriga urnas em uma câmara reservada localizada ao lado da sala Testemunho, ambiente dedicado a narrar a história do colapso considerado o maior acidente de trabalho do Brasil. Os restos mortais de vítimas já identificadas, que antes eram entregues às famílias ou destinados a valas comuns, agora encontram um destino definitivo neste local.
A criação do museu atende a uma reivindicação dos parentes por um tratamento digno aos entes queridos que não puderam ser velados de forma tradicional. Keyla Lamounier, viúva de Adriano Aguiar Lamounier, relata a dor de descobrir que o corpo do marido havia sido fragmentado pela violência dos rejeitos. “O corpo virou uma metáfora. Não me passava pela cabeça que ele tinha sido minerado”.
O projeto arquitetônico utiliza a luz solar para iluminar uma drusa de cristais exatamente às 12h28 de cada 25 de janeiro, horário exato do rompimento em 2019. O conjunto homenageia as 272 pessoas mortas na tragédia, referidas como joias, e inclui na contagem dois nascituros vitimados pela lama.
A gestão do memorial é conduzida pela Fundação Memorial de Brumadinho, uma entidade criada após mediação do Ministério Público de Minas Gerais para assegurar a autonomia dos familiares. A Vale financiou a construção e cedeu o terreno, mas um termo de compromisso proíbe a mineradora de exercer ingerência ou realizar propaganda vinculada ao espaço.
O objetivo central da instituição é impedir o apagamento histórico e a repetição de desastres semelhantes através da conscientização. Fabíola Moulin, diretora-presidente do memorial, define o local como uma ferramenta de ressignificação. “O memorial não é simplesmente um monumento ou um prédio bonito. Ele é um gesto de vida, não de morte, e vem para ressignificar [a história do rompimento]”.

