Bolívia libera venda de combustível a carros estrangeiros com preço internacional
Motoristas brasileiros podem abastecer legalmente na fronteira
Os veículos com placas estrangeiras receberam autorização oficial para abastecer em qualquer posto de combustível da Bolívia. A Agência Nacional de Hidrocarbonetos (ANH) emitiu um comunicado para esclarecer que os turistas e visitantes não precisam de requisitos adicionais para comprar gasolina ou diesel, desde que paguem o valor de mercado internacional.
A medida busca regularizar uma situação comum em regiões de fronteira do país andino onde motoristas brasileiros historicamente buscavam combustível mais barato. Antes dessa confirmação, muitos recorriam a pontos clandestinos em residências particulares para aproveitar os preços baixos, correndo riscos com produtos de procedência duvidosa.
Preços e formas de pagamento
Quem decidir cruzar a linha internacional para encher o tanque deve estar atento à tabela de preços diferenciada, que é mais cara que a cobrada dos bolivianos, mas ainda inferior aos valores do Brasil, além do combustível boliviano, (gasolina), não conter a proporção de álcool previsto nas normas brasileiras, e podem acarretar problemas em motores nacionais.
Outro ponto abordado, é que o pagamento deve ser realizado exclusivamente em bolivianos, a moeda local.
Confira os valores de referência divulgados pela ANH e a comparação com o mercado brasileiro:
- Gasolina na Bolívia (Estrangeiros): 8,68 bolivianos o litro (aproximadamente R$ 4,96).
- Gasolina em Corumbá: Preço médio de R$ 6,79.
- Diesel na Bolívia (Estrangeiros): 9,80 bolivianos o litro (aproximadamente R$ 5,60).
- Diesel S10 no Brasil: Preço médio de R$ 7,09.
Regras e canais de denúncia
A exigência do cadastro B-Sisa continua valendo apenas para a frota nacional boliviana, garantindo o acesso aos valores subsidiados antigos. Para os estrangeiros, a venda é livre e os postos não podem negar o atendimento sob a alegação de falta de registro.
Caso algum estabelecimento se recuse a vender o combustível pelo preço internacional, o consumidor pode denunciar a situação diretamente à ANH. O órgão disponibilizou o telefone 7207-2300 para receber as reclamações e fiscalizar o cumprimento da norma.

Crise de abastecimento e fim de subsídios
A liberação ocorre em um momento de instabilidade no fornecimento de combustíveis na Bolívia devido a dificuldades na importação. O governo local encerrou em dezembro uma política de subsídios que durava mais de 20 anos, o que resultou em um aumento expressivo de 86% na gasolina e mais de 160% no diesel para a população local.
O reajuste provocou protestos em diversas regiões e alterou a dinâmica na fronteira. Diante da escassez nos postos bolivianos, muitos moradores do país vizinho passaram a cruzar a fronteira para abastecer em Corumbá, mesmo pagando mais caro, para garantir o funcionamento de seus veículos.
