Mato Grosso do Sul avança em Telessaúde e define implantação de teleconsultoria
Reuniões técnicas definem modelo de assistência digital para qualificar o encaminhamento e dar eficiência ao fluxo assistencial
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) de Mato Grosso do Sul realizou uma série de reuniões técnicas, entre os dias 12 e 14 de janeiro, com o objetivo de fortalecer o Telessaúde e definir a implantação da teleconsultoria assíncrona. O foco principal dos encontros foi a qualificação do acesso a especialidades e a organização da rede assistencial, estratégias consideradas essenciais para a redução das filas de espera, especialmente em um estado com grande extensão territorial e municípios de pequeno porte.
Os debates ocorreram na Superintendência de Saúde Digital da SES e contaram com a participação de equipes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/MS), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau). A experiência acumulada pela UFSC no programa Telessaúde Brasil Redes foi apresentada como referência para adaptar o modelo à realidade sul-mato-grossense.
O Secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões, destacou que a saúde digital é um pilar estratégico para assegurar o acesso especializado de forma equitativa em Mato Grosso do Sul. “A telessaúde é essencial para um Estado com grandes distâncias e municípios menores. Ela melhora o acesso, reduz custos e torna o sistema mais eficiente”.
A teleconsultoria assíncrona é um modelo em que o acesso inicial ocorre por teleatendimento antes do encaminhamento presencial ao especialista. Segundo a Superintendente de Saúde Digital da SES, Márcia Tomasi, o projeto piloto será iniciado na capital e focado em uma área específica. “Estamos avançando na implantação da teleconsultoria assíncrona, com início na endocrinologia e perspectiva de expansão gradual para outros municípios e especialidades”.
Paralelamente à implementação da saúde digital, as discussões reforçaram a necessidade de fortalecer a Atenção Primária como eixo estruturante do sistema de saúde. Marcelo Vilela, secretário municipal de Saúde de Campo Grande, afirmou que a organização da porta de entrada é crucial para combater as longas listas de espera. “Fortalecer a Atenção Primária é fundamental para reduzir encaminhamentos desnecessários e a sobrecarga da rede. É um trabalho contínuo, que exige planejamento e parceria”.
O Consultor do Núcleo de Saúde Digital da UFSC, Marcos Maeyama, explicou como a teleconsultoria pode otimizar o fluxo assistencial e qualificar a referência. “A teleconsultoria permite qualificar o encaminhamento ao especialista, reduzir filas e dar mais eficiência ao fluxo assistencial. Essa experiência vem sendo adaptada à realidade de Mato Grosso do Sul, considerando as demandas locais e a capacidade da rede”.
A Fiocruz/MS também participa ativamente do projeto, fornecendo apoio técnico para a expansão das ofertas. Milene Dantas, pesquisadora em Saúde Digital e Telessaúde da Fiocruz/MS, ressaltou a contribuição da instituição para o avanço da teleconsultoria no estado. “A Fiocruz tem apoiado a expansão das ações de telessaúde, dentre elas, as teleconsultorias, qualificando a Atenção Primária, ampliando e fortalecendo o cuidado especializado por meio da saúde digital”.
A previsão é que, após a fase inicial em Campo Grande, o projeto seja ampliado para outros municípios de Mato Grosso do Sul. A expansão dependerá da disponibilidade de equipes, da infraestrutura local e da presença de profissionais especializados, solidificando a integração entre o Estado, as prefeituras e as instituições parceiras.

