Fasciíte necrosante é infecção rara e agressiva que exige tratamento imediato
A fasciíte necrosante é uma infecção bacteriana rara, de evolução extremamente rápida e potencialmente fatal, que atinge tecidos profundos do corpo e exige diagnóstico e tratamento imediatos para evitar complicações como sepse e falência de órgãos, conforme alertam especialistas da área médica.
Caracterizada pela inflamação e morte da fáscia, tecido localizado abaixo da pele e que envolve músculos, nervos e vasos sanguíneos, a doença costuma ser causada por bactérias do grupo Streptococcus, especialmente a Streptococcus pyogenes, segundo a médica infectologista Sylvia Lemos Hinrichsen, mestre e doutora em Medicina Tropical pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
De acordo com a especialista, a infecção se espalha de forma acelerada pelo organismo, provocando sintomas iniciais como febre, dor intensa localizada, vermelhidão e inchaço na pele, que podem evoluir rapidamente para úlceras, escurecimento da região e necrose do tecido.
“A evolução dos sinais indica que a bactéria está se multiplicando e destruindo os tecidos. Por isso, qualquer suspeita exige procura imediata por atendimento hospitalar”, explica.
O tratamento envolve antibióticos potentes administrados por via intravenosa e, em muitos casos, cirurgia para retirada do tecido necrosado, medida considerada essencial para conter o avanço da infecção e reduzir o risco de morte.
Diagnóstico rápido é decisivo para a sobrevivência
Segundo a infectologista, a principal dificuldade da fasciíte necrosante está no diagnóstico precoce, já que os primeiros sintomas podem ser confundidos com infecções comuns da pele. No entanto, a dor desproporcional ao aspecto inicial da lesão é um dos principais sinais de alerta.

“A rapidez na identificação do quadro e no início do tratamento é determinante para o desfecho do paciente. O atraso pode levar à sepse, falência de múltiplos órgãos e óbito”, reforça a médica.
Embora rara, a doença pode acometer pessoas de diferentes perfis e não está restrita a um único grupo. Ferimentos na pele, cirurgias recentes, imunidade baixa e uso inadequado de substâncias podem favorecer o desenvolvimento da infecção, segundo especialistas.
Caso recente trouxe atenção para a gravidade da doença
A fasciíte necrosante voltou ao centro do debate após a morte do fisiculturista Kevin Notário Nunes, de 30 anos, ocorrida na sexta-feira (26), no Hospital Regional de Ponta Porã, a 346 quilômetros de Campo Grande. A causa foi confirmada pela família.
Segundo relato do pai, o vereador Marcelino Nunes de Oliveira, o atleta foi internado após sentir fortes dores na coxa. Após exames, os médicos diagnosticaram a infecção. Kevin passou por cirurgia de emergência na quinta-feira (25) e permaneceu entubado, mas teve complicações e não resistiu.
“A busca pelo corpo ideal levou a vida precoce do meu filho Kevin. Que este caso sirva de alerta para outros jovens e atletas”, escreveu o pai nas redes sociais.
Kevin era conhecido no meio esportivo estadual e havia conquistado, em 2024, o título do Campeonato Overall Power Clássica – Men’s Physique.
