Projeto Teko Porã certifica indígenas em Amambai e fortalece reinserção social
O Estabelecimento Penal de Amambai (EPA) realizou, na semana passada, a solenidade de certificação dos primeiros grupos de reeducandos indígenas que concluíram cursos profissionalizantes por meio do Programa Teko Porã – Semeando Liberdade. Foram diplomados oito internos que finalizaram as capacitações em cabeleireiro/barbeiro e horta comunitária. Conforme a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), além dos formandos, sete outros indígenas que participaram das aulas já obtiveram a liberdade.
O Projeto Teko Porã transforma a realidade dos indígenas privados de liberdade, integrando ações de educação, profissionalização e valorização da identidade cultural. A iniciativa busca preparar os participantes para novas oportunidades dentro e fora do sistema prisional, contribuindo para a remição da pena, o desenvolvimento da autonomia e a reinserção social qualificada.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Agepen. Durante a cerimônia, Alexandre Ferreira de Souza, diretor do Estabelecimento Penal de Amambai, destacou o valor da formação técnica como ferramenta de transformação.
O Teko Porã nos permite trabalhar a reinserção social de maneira concreta. Cada curso concluído representa uma nova perspectiva de futuro, construída com respeito à cultura indígena e à realidade de cada participante.
As capacitações concluídas oferecem habilidades para a atuação profissional e buscam fortalecer a autonomia econômica dos reeducandos. O curso de Horta Comunitária, com 40 horas de carga horária e ministrado pelo professor Samuel Carvalho de Aragão sob supervisão do agrônomo Lucas Gustavo Yock, abordou conteúdos essenciais, como preparo de canteiros, adubação orgânica e química, produção de mudas, manejo agroecológico, plantas medicinais, hidroponia e hortas verticais.
De igual modo, a formação básica de cabeleireiro e barbeiro, também com 40 horas-aula e conduzida pelo professor Marcos Rogério Andrade Ferreira, tratou de técnicas de corte, design de barba, uso de instrumentos, princípios de higiene e biossegurança, além de conduta profissional e atendimento. Ambas as qualificações ampliam as chances de reinserção no mercado de trabalho ao deixarem a unidade penal.
O programa segue ativo com outros cursos em andamento nas áreas de marcenaria, informática e horticultura. Para o próximo ano, a programação já inclui capacitações focadas no enfrentamento à violência doméstica e no uso abusivo de álcool.
Para garantir que o processo formativo respeitasse a cultura, o idioma e as especificidades do público, as turmas contaram com o acompanhamento do facilitador indígena Arildo Alves Alcantara e do Tradutor de Língua Guarani Kaiowá Zenaldo Moreira Martins.
O Teko Porã também oferece suporte integral aos participantes. Na área emocional, foram desenvolvidas rodas de conversa e práticas de reflexão sobre vínculos familiares, responsabilização e projetos de vida, conduzidas pela psicóloga da unidade penal, Verônica Cristina da Silva Lima, e pelo psicólogo do IFMS, Edilson dos Reis. No âmbito legal, a assessoria jurídica realizou atendimentos individuais para verificar a situação processual e auxiliar na regularização de documentos civis, um passo fundamental para o exercício pleno da cidadania.
A solenidade de certificação, que validou a conclusão dos cursos, contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o coordenador do Programa Teko Porã e pró-reitor de Desenvolvimento Institucional do IFMS, Fernando Silveira Alves. Também estiveram presentes o assessor especial do Ministério dos Povos Indígenas, Kaique Galicia, a promotora da Primeira Promotoria de Justiça de Amambai, Nara Mendes dos Santos Fernandes, o presidente da Câmara Municipal de Amambai, Darci José da Silva, a presidente do Conselho da Comunidade, Solange Souza, e a coordenadora da Meta 3 – Projeto Semeando Liberdade, Gesilane de Oliveira Maciel.

