Lula diz que é possível negociar com os EUA para evitar guerra na Venezuela

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Em Brasília, na quinta-feira, o presidente tratou da escalada entre Estados Unidos e Venezuela e afirmou que voltará a falar com o mandatário norte-americano até a semana seguinte com o objetivo de evitar uma invasão militar no país vizinho. Ele citou a presença de tropas americanas no Mar do Caribe junto à fronteira venezuelana, movimentação justificada por Washington como ação contra o narcotráfico.

No Palácio do Planalto, durante um café da manhã com jornalistas, o presidente explicou a intenção de retomar o contato direto com o governo dos EUA para explorar alternativas diplomáticas.

“Eu estou pensando, antes do natal, em conversar com Trump outra vez para saber o que é possível o Brasil contribuir para que a gente tenha um acordo e não uma guerra”,

O chefe do Executivo recordou que já havia sinalizado risco de conflito em reunião ministerial e relatou que, na semana passada, manteve diálogo separado com Nicolás Maduro e com Donald Trump, o que trouxe a possibilidade de mediação brasileira como eixo das próximas tratativas.

“Era possível negociar sem guerra. Então, eu fico sempre preocupado com o que está por detrás. Porque não pode ser apenas a questão de derrubar o Maduro. Quais são os interesses outros que a gente tem e ainda não [se] sabe?”

O presidente afirmou ter pedido a Maduro que explicite eventuais pedidos de ajuda do Brasil e ter dito a Trump que o país está disponível para conversar com todas as partes interessadas com vistas a evitar confronto armado na região.

“Falei para o presidente Maduro que se ele quisesse que o Brasil ajudasse alguma coisa ele tinha que dizer o que ele gostaria que a gente fizesse. E disse ao Trump: ‘Se você achar que o Brasil pode contribuir, nós teremos todo interesse de conversar com a Venezuela, de conversar com vocês, conversar com outros países para que a gente evite um confronto armado aqui na América Latina e na nossa querida América do Sul. E o Brasil tem muito apreço por isso, porque nós temos muitos quilômetros de fronteira com a Venezuela”

Além das discussões sobre segurança regional, o presidente abordou as relações comerciais bilaterais e a manutenção da tarifa americana de 40% que incide sobre parte das exportações brasileiras, lembrando exclusões recentes feitas pela Casa Branca.

“Desde o momento que o presidente Trump fez a taxação, eu sempre defendi que é direito soberano de qualquer país taxar produtos do exterior que entram no seu país se ele entender que aquele país está tendo prejuízo de desenvolvimento por conta das importações. Aqui no Brasil nós vivemos taxando produtos. Então, eu não sou contra ele tomar atitude de taxar. O que eu fui contra e disse publicamente é que os motivos pela taxação não eram os verdadeiros. Eu acho que o presidente Trump já reconheceu isso e ainda faltam algumas coisas que nós vamos conseguir [reverter]”

Conforme informado pelo governo, a tarifa mantém impacto sobre 22% das vendas brasileiras aos EUA mesmo após a exclusão de centenas de itens no mês passado, e o tema segue na agenda de negociações comerciais.

O Palácio do Planalto informou que as tratativas sobre a tarifa estão sendo conduzidas por uma equipe coordenada pelo vice-presidente e com participação dos ministros da Fazenda e das Relações Exteriores, mas o presidente disse estar empenhado em acompanhar pessoalmente o processo junto a Washington.

“A cada 15 dias eu estou tomando a atitude de mandar uma mensagem pessoal pro Trump, ‘tá faltando outra coisa, tá devagar tal coisa’. Porque é o seguinte, quem engorda o porco é o olho do dono. Se eu fingir que eu esqueço, eu que tenho interesse, ele acha que está tudo resolvido e não, eu tenho que cobrar, eu tenho interesse”

O presidente concluiu que o envolvimento direto busca acelerar resultados nas duas frentes, a diplomática e a comercial, sem indicar medidas além das conversas bilaterais e multilaterais já mencionadas.

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