Líder de esquema de fraudes no Detran é preso após dois anos foragido
A Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) prendeu na manhã desta quinta-feira (18) o despachante David Cloky Hoffaman Chita, considerado o líder de um sofisticado esquema de fraudes no Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul).
O suspeito, que estava foragido há cerca de dois anos, foi localizado e detido em sua própria residência, situada na Rua 26 de Agosto, em Campo Grande.
As investigações da Polícia Civil apontam que David comandava uma organização criminosa que utilizava servidores públicos para inserir e retirar informações do sistema do órgão de forma irregular.
O modus operandi do grupo consistia em cobrar propina, estimada em R$ 10 mil por veículo, para remover restrições administrativas de caminhões e carros, permitindo que circulassem ou fossem transferidos ilegalmente.
Esquema e relacionamento interno
A apuração revelou que David contava com a colaboração direta de uma servidora do Detran, identificada pelas iniciais Y.O.C., que inclusive já atuou na Corregedoria do departamento.
Segundo a polícia, os dois mantinham um relacionamento afetivo, comprovado por fotos e mensagens, além de trocas de presentes de alto valor, como um iPhone 15 Pro Max, joias e eletrodomésticos entregues nas dependências do órgão.
O esquema veio à tona após um servidor denunciar que seu login havia sido utilizado indevidamente para liberar 26 restrições veiculares em um intervalo de apenas uma hora, em um dia em que ele não estava trabalhando.
A investigação interna rastreou o acesso até o computador utilizado pela servidora Y., que teria usado a senha do colega para operar as fraudes sob o comando de David.
Histórico criminoso e operações
Este não é o primeiro envolvimento de Chita com a justiça. O despachante acumula um histórico de participações em operações policiais de grande repercussão no estado, como a “Vostok”, que investigou pagamento de propinas da JBS, e a “4º Eixo”, focada na regularização ilegal de caminhões. Em 2017, ele chegou a ser apontado como um dos responsáveis pelo suposto roubo de R$ 300 mil que seriam usados para comprar o silêncio de testemunhas.
Segundo o inquérito policial, as 29 baixas irregulares identificadas recentemente poderiam ter rendido cerca de R$ 290 mil à quadrilha. “Dessa maneira, é evidente que as fraudes são a própria essência das atuações de David. Muito mais do que apenas reiterar na conduta delitiva, o investigado continua a se aperfeiçoar e a lucrar em cima dos esquemas ilícitos”, destaca a denúncia do Ministério Público.
A juíza Eucelia Moreira Cassal, responsável pelo caso, já havia determinado o afastamento da servidora envolvida e decretado a prisão preventiva de David Chita para garantia da ordem pública. O despachante agora responderá pelos crimes de corrupção, organização criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informações.
