Governo registra abertura de 500 mercados internacionais para a agropecuária brasileira
O Executivo federal anunciou a habilitação de mais de 500 mercados externos para produtos da agropecuária brasileira entre 2023 e 2025, resultado que já se reflete em US$ 3,4 bilhões em embarques e num potencial estimado em US$ 37,5 bilhões por ano conforme projeções do Ministério da Agricultura e Pecuária.
O processo de internacionalização foi protagonizado pelo próprio ministério, em articulação com a ApexBrasil, o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e com participação do setor privado, e foi comemorado durante a inauguração da sede própria da ApexBrasil em Brasília.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu ao esforço coletivo do governo e à qualidade da produção nacional a conquista da abertura desses mercados.
“O acerto das coisas que estão acontecendo no Brasil se deve ao aprendizado que nós tivemos ao longo de muitos anos”
No evento em Brasília, o presidente destacou o caráter estratégico da expansão comercial e vinculou a iniciativa a missões oficiais e à presença do país em feiras internacionais, com agenda prevista para a Feira de Hannover e visitas à Coreia do Sul e à Índia para estabelecer parcerias nos setores industrial, de cosméticos, farmacêutico, de defesa e de tecnologias agrícolas.
“O que acontece no Brasil hoje: a gente produz para atender o mercado interno e a gente produz tão bem que a gente consegue atender as necessidades do mercado externo. Essa é a coisa mais perfeita que poderia acontecer”
Durante a mesma cerimônia, o presidente avaliou que a indústria nacional já dispõe de competitividade própria e que é preciso mudar a postura de quem representa o país no exterior.
“Nós já não precisamos do que eles precisam. Agora, quem tem que falar isso somos nós. Então, nessa feira, a gente vai ver se leva a maior quantidade de empresáiro que nós já levamos, porque chega do Brasil se apresentar como se fosse um coitadinho”
Promoção comercial e alcance das ações
ApexBrasil contabiliza que, entre 2023 e 2025, as ações conjuntas com o Mapa e o MRE resultaram em mais de 170 iniciativas internacionais em 42 países, com negócios projetados na ordem de US$ 18 bilhões e atendimento a mais de três mil empresas, incluindo 19 missões presidenciais e cinco missões vice-presidenciais, conforme dados da agência.
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, ressaltou a parceria com o setor privado como componente central da estratégia de inserção externa do Brasil.
“A Apex tem 52 convênios com 52 setores da economia do Brasil [para participação em eventos no exterior]. Convênios meio a meio, a Apex põe a metade do dinheiro e as organizações põe a metade do dinheiro. Para quê? Para o Brasil estar presente no mundo inteiro. São mil eventos por ano”
Criada oficialmente em 2003, a ApexBrasil registrou até outubro de 2025 o apoio a 20.754 empresas no ano, sendo 66% delas micro, pequenas e médias, com ênfase nas regiões Norte e Nordeste dentro de uma política de descentralização das ações de promoção comercial.
Sanidade, diplomacia e próximos passos
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, vinculou a ampliação de mercados à diplomacia sanitária do país e à capacidade produtiva brasileira, lembrando a certificação obtida em 2025 que reconheceu o Brasil como país livre de febre aftosa.
“Por 72 anos, o Brasil lutou contra essa doença. E o mundo agora reconhece a sanidade dos produtos brasileiros, capacidade de produzir cada vez mais com garantia das qualidades. Para isso, para ganhar força de trabalho, saímos de 29 adidos [representante do país no exterior] para 40 novos adidos percorrendo os países, interagindo com os empresários. Enfim, uma força tarefa sempre precedente”
Fávaro destacou ainda a dinâmica esperada a partir da primeira compra por importadores estrangeiros, que tende a consolidar mercados e ampliar volumes de comércio ao longo do tempo.
“O empresário do outro lado compra um produto, faz o primeiro container, vê que o produto é bom, vê que chega na hora certa, que tem demanda e o Brasil aguenta suprir essa demanda, ele vai ampliar. O fruto desses 500 mercados, o Brasil vai entender nos próximos anos, a odisseia e a grande oportunidade”
O vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, projetou que o país deve registrar novo recorde de exportação no ano, mesmo diante de cenário externo menos favorável.
“Mesmo com o mundo crescendo menos e preço menor, nós devemos bater um recorde de US$ 345 bilhões de exportação, e US$ 629 bilhões de corrente de comércio. Até o panetone aumentou a exportação, aumentou 4% da exportação de panetone esse ano”
Entre os produtos habilitados nos novos mercados, o Mapa destaca carnes, algodão, frutas e pescados, e ressalta que cada país pode contar com múltiplos mercados para diferentes categorias de produtos, ampliando as oportunidades comerciais ao longo dos próximos anos.

