Luis Arce é preso em La Paz por investigação sobre Fundo Indígena

1765449225840
À esquerda, Arce quando foi transferido para a FELCC. À direita, María Nela Prada, a única ex-ministra que trabalhou em delegacias de polícia. Foto: El Deber

O ex-presidente Luis Alberto Arce Catacora foi detido pela Polícia Boliviana nesta quarta-feira (10), por volta das 15h, no bairro de Sopocachi, em La Paz, durante uma operação surpresa. Arce foi conduzido em uma van branca até a sede da Força Especial de Combate ao Crime (FELCC), na Divisão de Corrupção Pública, onde iniciou os procedimentos legais relacionados às acusações de peculato e conduta antieconômica no Fundo de Desenvolvimento Indígena (Fondioc).

Segundo o mandado assinado pelo procurador Miguel Ángel Cardozo, Arce teria autorizado projetos por meio de parcerias público-privadas não previstas na legislação, incluindo a aprovação de uma proposta da ex-deputada Lidia Patty, que recebeu Bs 669.876 para construção de estufas em Bautista Saavedra, mesmo com documentação incompleta e observações técnicas. O Ministério Público afirma que o prejuízo chega a 360 milhões de bolivianos.

Reações e desdobramentos

A primeira confirmação pública da prisão veio da ex-ministra da Presidência, María Nela Prada, que declarou em vídeo: “Quero denunciar perante o povo boliviano e a comunidade internacional que o ex-presidente acaba de ser sequestrado”. Ela esteve na delegacia e classificou a medida como arbitrária, acrescentando: “É claro que ele é inocente”.

O ministro do Governo, Marco Antonio Oviedo, afirmou em comunicado que a ordem foi dada pelo presidente Rodrigo Paz Pereira para intensificar o combate à corrupção. “O prejuízo econômico é enorme: 360 milhões de bolivianos só neste caso”, disse.

O advogado Eduardo León, responsável pela investigação inicial, declarou: “O então Ministro da Economia autorizou o desembolso de verbas públicas para contas privadas”. Ele destacou que as acusações se referem ao período em que Arce atuava como ministro, antes de assumir a presidência.

Parlamentares também se manifestaram. O senador Branko Marinkovic escreveu: “Este não é um ato de vingança política; é simplesmente uma demonstração de que na Bolívia tomamos a decisão de respeitar a justiça”. Já a deputada Estibaliz Bravo afirmou: “Justiça é agir sem impunidade”. Outros legisladores defenderam o respeito ao devido processo legal, mas concordaram que os fatos precisam ser apurados.

Contexto do Fundo Indígena

As denúncias sobre o Fondioc começaram entre 2014 e 2015, quando relatórios do Gabinete do Controlador identificaram irregularidades em mais de cem projetos financiados com recursos do IDH. O caso envolveu transferências para contas pessoais e segue em investigação contra diversos ex-funcionários.

Arce foi preso 33 dias após deixar o poder e enfrenta múltiplas acusações ligadas ao período em que comandava o Ministério da Economia.

*Com informações do EL DEBER

PUBLICIDADE
andorinha

Veja também