Gaeco investiga cartel suspeito de fraudar 15 licitações de materiais esportivos em MS

Uma investigação sobre suspeitas de combinação de preços em licitações para compra de materiais esportivos e uniformes levou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul a deflagrar, nesta quarta-feira (28), a Operação Trama Oculta. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), foram identificadas 15 licitações sob suspeita de fraude, envolvendo contratos públicos de aproximadamente R$ 3 milhões.

As apurações indicam que empresários teriam combinado previamente os valores das propostas apresentadas nos pregões para simular concorrência entre fornecedores. O objetivo, conforme a investigação, seria direcionar os resultados das disputas e elevar os valores dos contratos.

As equipes cumprem 28 mandados de busca e apreensão e 14 medidas cautelares diversas da prisão em Campo Grande, Sidrolândia, Anastácio, Caarapó, Dourados, Mundo Novo e Jardim. O caso tramita sob segredo de Justiça.

Buscas ocorreram na Capital e no interior

Em Sidrolândia, equipes do Batalhão de Choque da Polícia Militar e do Gaeco estiveram na residência de Welbet José Biaggi Amorim, ex-secretário municipal e atual chefe do setor de Manutenção, e da empresária Priscilla Depiné Struck.

Durante buscas em uma confecção de uniformes ligada a um dos alvos, os policiais apreenderam uma arma de fogo sem registro. Em Campo Grande, equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) deram apoio ao cumprimento de mandados em um prédio na Rua da Paz e em uma loja na Rua Sete de Setembro.

O advogado Mário Ângelo Guarnieri Martins confirmou ao Campo Grande News que agentes cumpriram mandado de busca e apreensão no endereço comercial de seu cliente. Segundo o defensor, a equipe jurídica acompanhava a diligência, mas ainda aguardava acesso integral à decisão judicial para avaliar as medidas cabíveis.

Investigação começou após apreensão de celular

A apuração da Operação Trama Oculta teve origem em provas extraídas de um celular apreendido durante a Operação Malebolge, deflagrada em fevereiro de 2025.

Naquela investigação, o Ministério Público apurou suspeitas de fraude em licitações e desvio de recursos públicos na compra de uniformes e materiais escolares. A operação anterior cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em Campo Grande, Água Clara, Rochedo e Terenos.

As suspeitas atuais envolvem processos licitatórios para aquisição de materiais esportivos e uniformes por prefeituras do interior. Como a investigação permanece em segredo de Justiça, as informações sobre os alvos e os contratos específicos ainda são limitadas.

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